Cinema nacional é muito careta, diz diretor de 'Paraísos Artificiais'
- Marina Azaredo
- Direto do Recife
Com Paraísos Artificiais, longa-metragem exibido na noite de sexta-feira (27) no Cine PE - Festival do Audiovisual, em Olinda (PE), o diretor Marcos Prado diz que tentou fugir da tendência do cinema feito no Brasil. "O cinema nacional é muito pudico, careta mesmo. Queria fazer um filme sensorial e, por isso, falei de drogas e sexo", disse ele em entrevista coletiva na manhã deste sábado (28).
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O longa conta a história da DJ Érika (Nathalia Dill), que conhece Nando (Luca Bianchi) através de sua melhor amiga, Lara (Lívia de Bueno), em um festival de música eletrônica em algum lugar do Nordeste do Brasil, uma coisa meio Universo Paralelo, o festival que acontece no fim do ano na Bahia e no qual o diretor esteve três vezes como pesquisador. Depois desse encontro, a história passa por Amsterdam e pelo Rio de Janeiro e vai e volta no tempo, mostrando como os destinos deles se cruzam.
Com a cena da música eletrônica como pano de fundo, o filme tem muita droga e muito sexo (inclusive uma bela cena de sexo entre Érika e Lara, que têm uma relação que extrapola um pouco os limites da amizade). Por isso, a classificação indicativa ficou em 16 anos, o que Prado comemora, já que não teria sido nada estranho se tivesse ficado em 18 mesmo. "Fiquei feliz com os 16 anos, porque assim podemos dialogar com um público bem jovem, e era essa a minha intenção", disse ele, que foi produtor de Tropa de Elite.
Os atores destacaram a preparação do elenco, feita por Fátima Toledo, famosa pelos métodos polêmicos. O personagem de Luca Bianchi, por exemplo, passa um tempo na cadeia e, por isso, foi "aprisionado" durante três meses: sua alimentação foi controlada, viu a família apenas uma vez por semana e não pôde sair com os amigos. "Fui ficando cada vez mais claustrofóbico, mas, quando vi, estava preparado para o personagem", conta o ator.
Para as cenas de sexo, eles contam que tiveram de trabalhar muito o toque no outro, com o objetivo de criar intimidade corporal. Nathalia, mais famosa pelos trabalhos na televisão, principalmente em novelas das 18h, horário que não permite ousadias, disse que não teve dificuldade para fazer as cenas, tanto com Lívia como com Luca. "Não tive nenhum problema em fazer, fiz pela arte, na hora não fico pensando no meu peito, na minha bunda. O problema mesmo é ver depois, aí não é muito agradável", brincou.
Também estão no elenco de Paraísos Artificiais (cujo nome é uma referência ao livro de 1860 em que Baudelaire analisa o efeito de substâncias alucinógenas populares na época: o haxixe, o ópio e o vinho) Bernardo Melo Barreto, César Cardadeiro, Divana Brandão - famosa pela sua atuação no cinema nos anos 80 -, Roney Villela e Emílio Orciollo Neto. E, em um ato com um quê de Hitchcock, o próprio Marcos Prado faz uma participação no longa, como o pai de Nando.
Programação
O Cine PE continua hoje com a exibição dos curtas Maracatu Atômico - Kaosnavial (PE), Km 58 (AL) e Até a Vista (RS). O longa programado para a noite é o documentário Jorge Mautner - O Filho do Holocausto, de Pedro Bial e Heitor D'Alincourt. Além disso, será feita uma nova exibição de À Beira do Caminho, filme de Breno Silveira que abriu o festival, mas que teve a sessão prejudicada por uma falha técnica no áudio.