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'Capitão Phillips' escala Tom Hanks para viver dramática história real

8 nov 2013 - 10h15
(atualizado às 10h15)
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Tom Hanks é o protagonista de 'Capitão Phillips'
Foto: Divulgação

Não é segredo para ninguém que Capitão Phillips tem tudo para ser o filme que dará o terceiro Oscar ao ator Tom Hanks, que no novo filme do britânico Paul Greengrass (de Voo United 93, 2005) interpreta um capitão da Marinha mercante que passa o diabo na mão de quatro piratas somalis - uma história verídica, ocorrida em abril de 2009 e que foi recontada no livro Dever de Capitão, de Richard Phillips.

O que torna Capitão Phillips um filme hipnotizante não é apenas a força de uma eletrizante história real, ou a interpretação magnética de Tom Hanks - o mais notável ator do cinema norte-americano para encarnar um homem ao mesmo tempo incomum e igual a todos nós. É, especialmente, o delicado equilíbrio que o diretor Paul Greengrass infiltra nas nuances tanto do refém quanto de seus captores.

Um detalhe crucial para sustentar o interesse é a humanização dos vilões. Os quatro piratas somalis que sequestram um navio mercante e colocam seu capitão e tripulantes sob a mira de metralhadoras são alucinados, agressivos, como seria de se esperar - todos eles, aliás, interpretados com muita garra por atores não profissionais, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed e Mahat M. Ali, especialmente o líder da gangue, Muse (Barhad Abdi), um somali que mora nos Estados Unidos desde os 14 anos e trabalhava como motorista até ser escalado para o filme.

"Prefiro documentário à ficção", diz Tom Hanks:

O roteiro de Billy Ray (de Jogos Vorazes, 2012) empenha-se em fugir ao máximo do maniqueísmo, retratando, antes de mais nada, o ambiente de onde partem esses terroristas magricelos, esfomeados, ameaçados pela mira de armas pelos senhores da guerra e do crime para lançar-se ao mar e conquistar seus butins.

Tudo isso é feito de maneira precisa, sem justificar qualquer violência que eles cometam. Trata-se, apenas, de situá-los num contexto humano e geopolítico que permite compreender o mecanismo diabólico que os cria.

O filme igualmente mostra a origem de Richard Phillips (Tom Hanks). Ele é um pacato pai de família de meia-idade, morador em Vermont (EUA), pai de dois filhos adultos, casado há anos com Andrea (Catherine Keener). Alguém que deixa o conforto de uma vida organizada para arriscar-se numa das mais perigosas rotas do mundo, ao comandar um navio que parte de Omã, na península Arábica, e deveria levar alimentos para o Quênia.

Quando este bem aparelhado navio, compreensivelmente atraente para os piratas, passa sozinho e sem escolta por águas internacionais diante da costa somaliana - um local há tempos conhecido por atos de pirataria - pode-se naturalmente pensar, também, no pouco apreço das grandes empresas mercantes pela vida de suas experientes tripulações - que não são marinheiros militares, nem têm armas de grosso calibre, como os piratas.

Mesmo sabendo-se o final da história real, Capitão Phillips não poupa emoções aos espectadores. Afinal, trata-se de 20 marinheiros encurralados numa situação extrema, tendo diante de si homens imprevisíveis, desesperados e sem nada a perder. A maior parte da conta, porém, é paga pelo capitão que, em parte da história, terá que virar-se sozinho com seus captores. É nessa situação-limite que Tom Hanks, vencedor do Oscar de melhor ator por Filadélfia (1993) e Forrest Gump, O Contador de Histórias (1995), mostra todos os recursos para credenciar-se à terceira estatueta.

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