Ator de 'O Senhor dos Anéis' pede cautela a Scorsese e George Lucas ao defender IA no cinema
Sean Astin afirma que o público precisa da liderança dos cineastas para discutir o impacto da inteligência artificial na indústria audiovisual
Sean Astin, ator conhecido por interpretar Samwise Gamgee na trilogia O Senhor dos Anéis, pediu que os cineastas Martin Scorsese (Os Infiltrados) e George Lucas (Star Wars) adotem uma postura mais cuidadosa ao comentar sobre o uso da inteligência artificial (IA) na indústria do entretenimento.
Em entrevista ao jornal The Guardian, Astin, que também preside o sindicato dos atores SAG-AFTRA desde setembro de 2025, foi questionado sobre diretores renomados que demonstraram entusiasmo com as possibilidades da tecnologia.
"Eu pediria a essas lendas da indústria que falassem de forma cuidadosa e refletida sobre essa tecnologia", afirmou. "Às vezes tenho a impressão de que alguns comentários não foram suficientemente pensados. E acredito que o público realmente precisa da liderança deles para navegar por esse cenário."
As declarações acontecem em meio ao crescente debate sobre a adoção da inteligência artificial em Hollywood. No início deste ano, Martin Scorsese foi anunciado como conselheiro da Black Forest Labs, empresa responsável pelo gerador de imagens por IA FLUX. Na ocasião, o diretor defendeu que o cinema deve permanecer aberto às transformações tecnológicas.
"Lembrem-se de que o cinema é uma arte relativamente jovem, com cerca de 125 anos. Precisamos estar abertos à forma como ele pode evoluir", declarou.
A parceria, no entanto, gerou críticas da Art Directors Guild, entidade que representa diretores de arte. O sindicato acusou Scorsese de "virar as costas" aos profissionais que ajudaram a construir sua filmografia, argumentando que ferramentas de IA generativa podem substituir o trabalho de ilustradores, designers de produção e artistas gráficos.
Já George Lucas também manifestou apoio à tecnologia recentemente. O criador de Star Wars afirmou que a inteligência artificial tornará a produção cinematográfica mais acessível e comparou a resistência à IA à rejeição dos automóveis quando surgiram.
"A inteligência artificial torna muito mais fácil fazer filmes. Não há nada que possamos fazer para impedir isso. É o progresso, é o futuro", disse.
Enquanto isso, o SAG-AFTRA segue defendendo a aprovação da No Fakes Act, proposta de lei que busca ampliar o controle de artistas sobre o uso de suas vozes e imagens por sistemas de inteligência artificial. Astin já classificou o projeto como "a solução definitiva" para enfrentar os desafios trazidos pela tecnologia.
A inteligência artificial foi um dos principais pontos da greve de atores e roteiristas em Hollywood em 2023, quando os profissionais exigiram garantias contra o uso de réplicas digitais sem autorização ou remuneração.
Fonte: NME
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