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'As Sessões' mostra dilemas de homem virgem aos 38 anos

15 fev 2013 - 07h50
(atualizado às 07h51)
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<b>As Sessões (The Sessions, 2013)</b> - Indicado a 1 Oscar (Melhor Atriz Coadjuvante), longa conta a história de um homem preso a um respirador artificial (John Hawkes) que quer perder a virgindade. Ele decide, então, com a ajuda de um padre (William H. Macy), contratar uma terapeuta sexual (Helen Hunt)
As Sessões (The Sessions, 2013) - Indicado a 1 Oscar (Melhor Atriz Coadjuvante), longa conta a história de um homem preso a um respirador artificial (John Hawkes) que quer perder a virgindade. Ele decide, então, com a ajuda de um padre (William H. Macy), contratar uma terapeuta sexual (Helen Hunt)
Foto: Divulgação

A virgindade aos 38 anos é um tremendo problema para Mark O'Brien (John Hawkes), como seria para qualquer outro homem no mundo. Mas para Mark há um enorme complicador adicional. Vítima de poliomielite aos 6 anos, ele vive com pouquíssima mobilidade, atrelado quase as 24 horas do dia a um pulmão de aço que garante sua sobrevivência. A descoberta de uma terapeuta sexual, Cheryl (Helen Hunt), abre uma perspectiva de vida nova para Mark.

Esta delicada aventura íntima de um homem extraordinário está no centro da comédia dramática As Sessões, do diretor polonês radicado nos Estados Unidos Ben Lewin, que estreia nesta sexta-feira (15) no Brasil. O filme recebeu uma indicação ao Oscar, como melhor atriz coadjuvante para a já premiada Helen Hunt. Esquivando-se de muitas armadilhas em que o enredo, adaptado pelo mesmo Lewin de um relato publicado pelo verdadeiro Mark O'Brien, poderia derrapar, especialmente no plano melodramático, o filme é surpreendente de várias maneiras.

A primeira, certamente, é não ter um protagonista convencional e que, numa situação absurdamente limitante, consegue ser espirituoso e divertido. Num papel que o obriga a ficar permanentemente deitado, John Hawkes (indicado ao Oscar 2011 por Inverno da Alma) supera-se no uso do rosto e da voz, materializando a figura de um homem sensível e que faz o máximo uso de sua inteligência.

Inclusive, cursando a universidade e escrevendo artigos para a imprensa, mediante o uso de uma pequena vareta e um teclado, para o que ele deve usar sua boca, já que não pode movimentar-se sem ajuda. Nessas condições, Mark torna-se um dos clientes mais desafiadores para a terapeuta sexual Cheryl Cohen (Helen Hunt), igualmente baseada numa personagem verídica. Sua atuação profissional é um tanto peculiar: ela não realiza sessões de fala, e sim participa diretamente de exercícios corporais e, inclusive, sexo com o cliente.

Ainda que o tratamento, para evitar mal-entendidos e envolvimento, tenha seu número de sessões rigorosamente limitadas. O clima alto-astral é mantido pela opção de humanizar completamente seus dois protagonistas - com direito a incluir as dúvidas pessoais da própria Cheryl -, fornecendo uma visão não-piedosa do universo das pessoas deficientes e não-moralista do sexo em geral. Outra ajuda providencial chega pelas intervenções de um coadjuvante na história, o padre Brendan (William H. Macy).

No papel do confessor de Mark, o religioso despreza as ortodoxias da doutrina, transformando-se num incentivador de uma experiência vital para o outro, ainda que a Igreja a considere, a rigor, um pecado mortal.

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