'100 Dias' é uma bela homenagem a um brasileiro que ousou não desistir
Longa, que relembra a jornada de Amyr Klink para atravessar o Atlântico em 100 dias, já está em cartaz nos cinemas brasileiros
O filme "100 Dias", dirigido por Carlos Saldanha e estrelado por Filipe Bragança, retrata a histórica travessia solitária a remo do navegador Amyr Klink pelo Atlântico, ocorrida em 1984. Inspirado no livro do próprio expedicionário, o longa levou oito anos para ser produzido e equilibra os desafios da odisseia com lembranças íntimas. Destacando-se pelo visual arrebatador característico de Saldanha, a obra homenageia a perseverança de Klink, consolidando-o como um símbolo do orgulho brasileiro.
Em 1992, quando nasci, Amyr Klink poderia ter cruzado o Atlântico, refazendo o percurso de Lüderitz, na Namíbia, à Praia da Espera, na Bahia, quase trinta vezes. Apesar de impressionante, o feito demorou muitos anos para chegar ao meu conhecimento, perdido em meio a diversas trocas de gerações desde que o navegante ousou se lançar sozinho ao mar naquele mês de junho de 1984, em um barco a remo, para entrar para a história.
À época, o acontecimento virou notícia, depois um livro autoral — Cem Dias Entre Céu e Mar, que entrou para a lista dos mais vendidos no Brasil —, e agora chega aos cinemas em 100 Dias, que entra em cartaz a partir desta quinta-feira, dia 29 de outubro.
Dirigido por Carlos Saldanha (A Era do Gelo, Cidade Invisível) — que era apaixonado pela história de Amyr na adolescência e dedicou cerca de oito anos de sua vida ao projeto antes de vê-lo chegar às telonas —, o longa acompanha a odisseia do navegante desde o seu primeiro dia, com todos os seus desafios e riscos, em uma jornada para provar a si mesmo que era capaz de fazer o que quer que colocasse o seu empenho.
Enquanto Amyr navega, visitamos lembranças do navegante e nos aproximamos de sua história. Nós nunca o conhecemos em sua totalidade, mas acompanhamos como a viagem derruba paredes levantadas pela arrogância da juventude e aquela certeza totalmente equivocada que temos, quando jovens, de que já sabemos tudo sobre todas as coisas.
Entre céu e mar, Amyr lida com os mais diversos sentimentos: medo, solidão e frustração, mas também felicidade, alegria e tantos outros. Filipe Bragança, que despontou na carreira de ator no remake de Chiquititas (2013-2015), é o responsável por conduzir o espectador por esses momentos. Ao ser questionado por este jornalista sobre como acessou essas emoções a partir de uma experiência tão única quanto a de Amyr, o ator foi direto e raso: "Ah, é o meu trabalho."
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O destaque fica, então, para o trabalho de Saldanha. Com anos de experiência em animação, o cineasta sabe como trabalhar com imagens e entrega um espetáculo estonteante, que vai desde cenas mais simples, como uma dança em família durante uma festa de rua, até um encontro de Amyr com baleias — para mim, uma das cenas mais lindas de todo o longa.
Sendo sincero, não vejo Amyr Klink como um herói nacional, como muitos o veem, mas um brasileiro nato, representante de um povo que, quando quer algo, corre atrás e consegue. E 100 Dias é um filme à altura de seu feito. Uma conquista pessoal, sim, mas que o coloca entre personalidades como Fernanda Montenegro, Ayrton Senna, Pelé, Maria Bethânia, Chico Buarque, Sônia Braga, Oscar Niemeyer, Gilberto Gil, Wagner Moura, Gal Costa, Walter Salles, Caetano Veloso, Kleber Mendonça Filho e tantos outros, que nos dão orgulho de ser brasileiro.
https://youtu.be/67jg3shoh58?si=4bxY31aFP2DhSvXl
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