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Divertida e emocionante, 'Smiley' enfrenta o medo de se apaixonar no século XXI

Obra do dramaturgo catalão Guillem Clua, adaptada pela Cerejeira Produções, fica em cartaz até o fim de setembro no Teatro Ruth Escobar

2 set 2026 - 15h10
(atualizado às 15h16)
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Resumo
Sucesso global adaptado pela Netflix, a comédia romântica teatral "Smiley", de Guillem Clua, reestreia no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. Protagonizada por Mau Alves e Conrado Helt, a peça aborda o medo de se apaixonar e a liquidez das relações no século XXI por meio do romance improvável entre Alex e Bruno. Unindo humor, emoção e atuações elogiadas, a montagem renova as esperanças no amor e cumpre temporada de 1º a 30 de setembro, às terças e quartas-feiras, com ingressos a até 100 reais.

"A pista tá salgada". A frase se popularizou nos últimos anos, mas em 2012, quando Smiley nasceu em uma pequena sala de espetáculos em Barcelona, na Espanha, Guillem Clua já tinha sacado isso. Na obra, o autor abordava as dificuldades de dois homens gays para se entregar ao amor em uma época em que as relações estavam cada vez mais líquidas e as pessoas mais distantes, escondidas atrás das telas de seus celulares.

Divertida e emocionante, 'Smiley' enfrenta o medo de se apaixonar no século XXI (Divulgação)
Divertida e emocionante, 'Smiley' enfrenta o medo de se apaixonar no século XXI (Divulgação)
Foto: Rolling Stone Brasil

Apesar de uma produção enxuta, Smiley rapidamente se tornou um fenômeno, ganhou versões em inglês, italiano, francês, alemão e até grego, foi adaptada para a Netflix em uma minissérie e, em 2024, finalmente chegou ao Brasil, em São Paulo, com realização da Cerejeira Produções. Agora, dois anos depois, a comédia romântica está de volta aos palcos paulistas, em um revitalizado Teatro Ruth Escobar, para recontar uma história que, surpreendentemente, é tão atual quanto há 15 anos.

Em Smiley, após uma mensagem insatisfeita de Alex - um bartender tão atraente quanto frustrado por uma vida amorosa falida - cair acidentalmente na caixa postal de Bruno - um arquiteto acostumado com a própria companhia, mas que ainda não desistiu de encontrar um romance como os dos filmes que assiste com frequência -, os dois decidem se encontrar. Rapidamente, eles percebem que não têm nada em comum, mas acabam indo para a cama da mesma forma, onde a mágica realmente acontece. Porém, como nenhum tem coragem de dar o próximo passo, o romance fica em suspenso enquanto eles entendem como navegar pelos caminhos cada vez mais complicado do amor no século XXI.

Smiley conquista, principalmente, por ser relacionável. Ainda que você não seja uma pessoa LGBTQIA+, a história atravessa temas familiares a todos, como as cicatrizes deixadas por relacionamentos anteriores e como isso nos trava na hora de buscar um novo amor, com receio de se ferir novamente. Mas um bom texto não é nada sem bons atores para dá-lo vida - e é aí que entram Mau Alves e Conrado Helt, grandes trunfos do espetáculo.

Mau, na pele de Bruno, rouba a cena com um carisma que quebra qualquer pompa do arquiteto metido a intelectual, transformando-o em um personagem fácil de se apaixonar. Em momentos dramáticos, mais para o fim da história, o ator mostra versatilidade, prendendo a atenção do espectador e arrancando lágrimas espontâneas com a sua entrega.

Conrado não fica muito atrás ao interpretar Alex, que é quem passa pela maior transformação ao longo da história. Quando o conhecemos, temos a mesma impressão de Bruno, de que Alex é apenas um gostosão superficial, que não suporta ser rejeitado. Cabe ao ator, portanto, desnudar o seu personagem - em um momento, literalmente, aliás - e revelar as suas fragilidades e as feridas que o transformaram em uma pessoa perto de aceitar que, talvez, não seja feita para o amor.

Smiley é uma história para os desencantados pelo amor, os que "riem para não chorar" ao passarem por uma nova decepção amorosa, mas que, no fundo, ainda acreditam nesse sentimento tão estimado. É um espetáculo para sair com a esperança renovada de que, assim como diz a lenda contada por Bruno a Alex em sua primeira conversa, há um fio vermelho invisível ligando duas pessoas destinadas a estarem juntas, e se é para acontecer, vai acontecer.

E, por fim, por mais que a gente ria, mas também chore com Smiley, a peça é uma daquelas experiências que valem cada segundo vivido. Portanto, não deixe de vivê-la.

Serviço

Smiley

Local: Teatro Ruth Escobar - São Paulo (SP)

Temporada: de 1º a 30 de setembro

Sessões: terças e quartas, às 20h

Duração: 90 minutos

Classificação: 16 anos

Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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