Anthrax fala à Rolling Stone sobre 'Cursum Perficio', Brasil e fim do Sepultura
Guitarrista e membro fundador Scott Ian detalha o próximo álbum da banda, que chega em 18 de setembro, e relembra momentos distintos de sua carreira — com ou sem o grupo
Em entrevista, Scott Ian destacou o lançamento de "Cursum Perficio", novo disco do Anthrax previsto para 18 de setembro, afastando rumores de aposentadoria da banda e prometendo retorno ao Brasil em 2027. O guitarrista elogiou a faixa "The Edge of Perfection", relembrou o clássico "Among the Living", defendeu a subestimada fase com John Bush e lamentou o fim do Sepultura, celebrando, porém, a amizade com Andreas Kisser e a autonomia do grupo brasileiro em encerrar a carreira sob seus próprios termos.
Scott Ian não esconde a empolgação com Cursum Perficio, décimo segundo álbum de estúdio do Anthrax. Marcado para sair no próximo dia 18 de setembro via Nuclear Blast / Megaforce Records, o disco traz aquela que é, em sua opinião, a melhor música da carreira do lendário grupo de thrash metal: "The Edge of Perfection", faixa já disponível como single.
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"Surpreendentemente, foi muito fácil criá-la, porque é uma música muito difícil de tocar", comenta o músico de 62 anos, em entrevista à Rolling Stone Brasil. "Soa como Anthrax, mas também como algo que nunca tínhamos feito antes — e ao mesmo tempo muito parecido com Anthrax."
Como todo artista, Ian e seu grupo evoluíram ao longo do tempo. O que se ouve em Cursum Perficio tem a essência thrash metal de trabalhos clássicos lançados nos anos 1980, mas também se percebe a maturidade adquirida após tanto tempo de estrada. E é bom mesmo que Scott esteja empolgado, pois o novo álbum chega uma década após seu antecessor, For All Kings (2016). Para ele, a espera valeu a pena.
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Neste bate-papo, o guitarrista, letrista e membro fundador do Anthrax:
- aborda Cursum Perficio em detalhes;
- afasta boatos de aposentadoria — causados pelo título da obra que, no latim, significa "completo minha jornada";
- explica a demora no lançamento;
- comenta sobre suas mais recentes visitas ao Brasil;
- promete retornar com o Anthrax principal em 2027;
- revisita dois momentos cruciais de sua carreira — o clássico Among the Living (1987) e a era com o vocalista John Bush, entre 1992 e 2005;
- e lamenta o fim iminente do Sepultura, nome mais importante da música pesada nacional.
Confira!
Entrevista com Scott Ian, do Anthrax
Rolling Stone Brasil: Estamos aqui para falar sobre o novo álbum do Anthrax, mas antes preciso dizer: estava ansioso para te ver com o Mr. Bungle abrindo o show do Avenged Sevenfold aqui em São Paulo [em janeiro último]. No entanto, você teve que voltar mais cedo para um show já agendado com o Anthrax. Andreas Kisser, do Sepultura, entrou no seu lugar e fez um ótimo trabalho. Como foi o processo de trazer o Andreas para a ocasião?
Scott Ian: Andreas já me substituiu no Anthrax em 2011, quando meu filho estava para nascer e estávamos na turnê Big 4 pela Europa. Precisei de dois ou três meses e Andreas me substituiu. Como esses shows de agora seriam no Brasil e ele estaria em casa — sem falar que eu sabia que ele toca guitarra bem e conseguiria aprender rapidinho —, pensei que ele era o cara certo. E ele é fã do Mr. Bungle. Convidei ele e ele aceitou.
Lembra de quando vocês se tornaram amigos?
SI: Não lembro! Provavelmente foi no início dos anos 1990, eu acho, talvez por volta da época do álbum Chaos A.D. (1993).
O Sepultura está em turnê de despedida. O último show acontece aqui no Brasil, em novembro. Como se sente com a notícia de que uma banda thrash tão amada no mundo todo está prestes a se separar?
SI: Como fã do Sepultura, tristeza. Não quero um mundo sem Sepultura. Ao mesmo tempo, também estou feliz por eles, porque eles estão ditando o que querem fazer. Estão encerrando nos termos deles. Estão no comando. Se você pode sair de cena fazendo as coisas do jeito que quer, ótimo. Fico triste e feliz, pois sou fã, mas sei que esses caras têm outras coisas que querem fazer e eles estão na estrada há muito tempo.
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Minha última pergunta antes de passarmos para o novo álbum também está ligada a Brasil, especificamente o show mais recente do Anthrax aqui [no Summer Breeze Brasil 2024]. Foi um show muito especial, uma rara ocasião em que pudemos ver vocês tocando com o Dan Lilker [baixista original, temporariamente no lugar de Frank Bello]. Quais as suas lembranças desse show?
SI: Foi realmente ótimo. Se não me engano, fomos a atração principal naquele dia, então, provavelmente, foi o maior show que já fizemos como atração principal em São Paulo. A plateia estava sensacional. Dan estava conosco durante toda aquela turnê pela América do Sul. Então, pudemos dividir o palco com ele novamente no Anthrax depois de tantos anos —nem estou contando o S.O.D. —e tocar algumas músicas das quais ele participou. Tenho quase certeza de que tocamos "Metal Thrashing Mad". Parecia que o tempo não havia passado desde 1983. Somos amigos há todos esses anos; não é como se não nos víssemos há 40 anos.
Enfim, sobre o novo álbum. O título é Cursum Perficio, que em latim significa "completo minha jornada". Sei que isso estava inscrito na entrada da última casa em que Marilyn Monroe morou. Mas os fãs já estão se perguntando se este será o último álbum do Anthrax. Você tem dito que é um título que surgiu das incertezas da pandemia. Estou certo?
SI: Você teria que perguntar isso ao Charlie [Benante, baterista]. Ele diria que viu isso em um documentário sobre Marilyn Monroe. Acho que, acima da lareira dela, estava escrito isso. Ele gostou muito dessa frase, da sensação que ela transmitia. Não sei se na época, para ele, era sobre a jornada para terminar o álbum. É assim que significa para mim, porque houve momentos em 2020, na pandemia, em que não sabíamos se voltaríamos a ser uma banda. Não sabíamos se faríamos shows. Havia muita preocupação e estresse por não sabermos de nada. Só depois é que pudemos nos juntar e compor novamente. Ficamos tão felizes, e é isso que ouço no álbum: nossa energia de poder ser uma banda de novo. Se tivéssemos um plano de que este seria nosso último álbum ou turnê, como Sepultura ou Megadeth, faríamos um grande alarde e diríamos às pessoas. Não acho que a gente desapareceria misteriosamente. Não precisa se preocupar.
Com certeza.
SI: Dito isso, não sei se faremos outro álbum. Saberemos, com o tempo. Este ainda nem foi lançado. Vamos lançar este álbum e depois sair em turnê por dois anos. E aí, todos nós teremos 65 anos e veremos como nos sentiremos. Podemos também passar a lançar músicas soltas. Quem sabe?
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Você explicou algumas vezes que este álbum demorou para ser lançado devido à pandemia. Além disso, os membros tinham seus compromissos: você com o Mr. Bungle, Charlie com o Pantera, houve ainda a mudança de empresário...
SI: Não, Mr. Bungle e Pantera não tiveram nada a ver com o lançamento deste álbum. Nunca interferiram em nada. Começamos a compor este disco em 2021, quando pudemos nos reunir novamente, e o disco foi finalizado assim que ficou pronto. Não teve a ver com outros compromissos. O Anthrax não me esperava voltar do Mr. Bungle, assim como não esperava Charlie voltar do Pantera.
Claro! Mas você acha que ter tido esse período de tempo — quase 5 anos, eu acho — para fazer o álbum influenciou o resultado final de alguma forma?
SI: Sim, pudemos conviver com as músicas por muito mais tempo do que no passado e conseguimos fazer mudanças. Gravamos umas cinco ou seis músicas e depois nos afastamos delas por meses enquanto eu escrevia as letras. Enquanto isso, percebíamos algumas coisas musicalmente que queríamos corrigir, então voltávamos. O mesmo aconteceu quando Joey [Belladonna, vocalista] começou a cantar: ouvíamos as gravações com vocais por um ou dois meses. Garantimos que estávamos satisfeitos com tudo. Algumas músicas já estavam ótimas, sem mudanças. Outras, eu ouvia e pensava: "quero reescrever essa parte". Estou ouvindo o álbum finalizado desde novembro de 2025 e não mudaria nada nele.
Você disse que a melhor música da história do Anthrax está nesse álbum: "The Edge of Perfection". Conte-nos um pouco mais sobre o processo de composição e gravação dela.
SI: Surpreendentemente, foi muito fácil, porque é uma música muito difícil de tocar. Estávamos tocando apenas separadamente, em estúdio. Nunca tínhamos tocado essa música juntos — a não ser quando estávamos arranjando e aprendendo o arranjo da música, só eu, Charlie e Frank. Nunca a tocamos juntos como uma banda completa, com Jon [Donais] na guitarra solo e Joey no vocal. Daí começamos a ensaiar e ela é muito difícil mesmo. De toda forma, ela nasceu após Charlie trazer uma demo dessa música. Soube imediatamente que era algo incrível. Como sempre acontece quando Charlie manda uma demo, geralmente é o dobro da duração da música final, porque ele se empolga muito. Ao montar o quebra-cabeça, tudo se encaixou muito rápido porque as partes eram muito boas. Soa especial. Soa como Anthrax, mas também soa como algo que nunca tínhamos feito antes — e ao mesmo tempo muito parecido com Anthrax. Não sei se faz sentido, mas é realmente ótima. Joey arrasou nos vocais no estúdio, logo na primeira tentativa. Jay [Ruston, produtor] enviou a guia, disse que estava bem cru e era o primeiro take, mas achei incrível. O mesmo aconteceu com Charlie. O clipe é o melhor que já fizemos. Tão especial quanto a música. Muito emocionante, profundo e brutal.
Essa música surgiu muito rapidamente. Mas teve alguma outra no álbum que levou um tempo para ficar perfeita?
SI: Sim, "Watch It Go". Passamos por algumas fases. Tínhamos um arranjo e decidimos mudar. Com a gente, é sempre assim: tem algumas músicas que se criam sozinhas de tão fáceis, mas outras não. Acho que a mais difícil que já tivemos foi "In The End", do álbum Worship Music (2011). Acho que levamos uns 10 meses para acertar o arranjo. Continuamos trabalhando nela porque sabíamos que havia uma ótima música ali. Só não conseguíamos encontrar a maneira certa de juntá-la. "Watch It Go" não levou 10 meses, mas provavelmente uns seis meses, mais ou menos. É uma música meio maluca e tem uma métrica estranha também. Então, isso dificultava a compreensão de como a letra funcionaria. Levou um tempo, mas conseguimos e ficou insano, brutal pra car*lho.
https://www.youtube.com/watch?v=rr-GVF_Qzdw&list=RDrr-GVF_Qzdw&start_radio=1&pp=ygUMYW50aHJheCAyMDI2oAcB
Vocês já sabem quais músicas do álbum vão tocar ao vivo além de "It's for the Kids"?
SI: Ainda não. Tenho quase certeza de que vamos tocar "The Edge of Perfection". Mas sei quais músicas eu quero tocar. Quero tocar "NYC 93" com certeza. É uma das minhas favoritas. Acho que deveríamos tocar "Everybody's Got a Plan" e "Infectious". Se dependesse de mim, tocaríamos todas as músicas em algum momento. Não todas em apenas um show, mas seria ótimo poder tocar tudo em algum momento ao longo de dois anos.
Cursum Perficio foi gravado no Studio 606, de Dave Grohl. E não só há fotos de vocês todos juntos, como também vocês gravaram um cover do Bad Brains juntos. Como é a sua amizade com Dave e como surgiu a ideia de usar o estúdio dele?
SI: Trabalho no 606 há muitos anos com diferentes projetos: Mr. Bungle, minha esposa [Pearl Aday], Motorsister... acho que até gravei algumas guitarras lá, talvez no álbum For All Kings. Trabalhei muito no 606 nos últimos 10 anos. Adoro a atmosfera de lá. É muito confortável e inspirador. Foi construído por músicos. E ajuda o fato de eu ser amigo do Dave desde 1998, quando o conheci. Conheço todos os caras do Foo Fighters e todas as pessoas que trabalham no estúdio. Há situações como: estou sentado no estúdio gravando e Pat Smear entra com aquele sorriso enorme e se senta. Ele é como um animador de torcida, super empolgado com o que você está tocando. Sei lá, adoro a vibe dali. Sinto que trabalho melhor lá.
Existe algum plano para trazer o Anthrax ao Brasil e à América do Sul?
SI: Não este ano, mas com certeza no próximo. O álbum sai em setembro, mas a verdadeira turnê começará em janeiro. Começaremos no início do próximo ano e tenho certeza de que estaremos no Brasil em 2027.
Vocês não fizeram muitos shows como atração principal aqui no Brasil. Vocês abriram para o Iron Maiden, tocaram em festivais como Summer Breeze Brasil e no Rock in Rio, em experiências bem diferentes. Qual a sua lembrança mais vívida de tocar no Brasil?
SI: Boa pergunta. Já fizemos tantos shows incríveis em São Paulo ao longo de nossas carreiras desde a primeira vez em 1993. Na nossa primeira vez, tocamos no Brasil bem no dia em que o álbum Sound of White Noise (1993) foi lançado. O Rock in Rio em 2019 foi realmente especial. Fizemos um show incrível. A plateia estava insana. Ouvi falar do Rock in Rio a vida toda. Lembro de ver fotos do Iron Maiden e do AC/DC lá nos anos 1980. Olhava na revista e imaginava que talvez um dia pudesse tocar naquele festival. Finalmente tocamos e não decepcionou. Também foi incrível fazer turnê com o Maiden e poder voar no avião deles. Viajamos no avião 747 deles em 2016 e tocamos em estádio com eles. Foi incrível. Mas se eu tivesse que escolher um, provavelmente diria que o Rock in Rio foi o que mais se destacou.
https://www.youtube.com/watch?v=26Dnl2Plv_8&list=RD26Dnl2Plv_8&start_radio=1&pp=ygUYYW50aHJheCByb2NrIGluIHJpbyAyMDE5oAcB
Para este momento final, duas perguntas sobre o legado do Anthrax. Você mencionou Sound of White Noise e o vocalista da época, John Bush, começou recentemente a fazer shows cantando músicas da era dele com o Anthrax. Você disse que apoia John, que continua amigo dele e até gostaria de se juntar a ele em um show algum dia. Como você vê esses álbuns gravados com o John hoje em dia: Sound of White Noise, Stomp 442 (1995), Volume 8 (1998) e We've Come for You All (2003)?
SI: É a mesma opinião de sempre: eu amo esses álbuns. Acho que, especialmente, Stomp 442, Volume 8 e We've Come for You All são muito subestimados. Acho triste que a maioria das pessoas não conheça esses álbuns. Sei quantas cópias eles venderam em comparação com os outros. A maioria das pessoas não conhece esses discos. Gostaria que as pessoas ouvissem esses álbuns. Elas deveriam ouvir esses álbuns, seja no Spotify, Apple Music ou Amazon Music, porque estão perdendo ótimos álbuns. É assim que me sinto. Acho que amo esses álbuns da mesma forma agora como amava quando os fizemos — e só queria que mais pessoas os ouvissem, porque se você é fã do Anthrax, tem muito mais material para ouvir.
Dentre esses álbuns, qual você recomendaria ouvir primeiro? Não necessariamente o seu favorito, mas qual você recomendaria ouvir primeiro.
SI: Primeiro, eu provavelmente diria We've Come for You All. Se você nunca ouviu nenhum dos álbuns do John Bush, recomendo que comece por esse. É o meu favorito dos quatro álbuns que fizemos. Então, eu começaria por esse, depois Sound the White Noise, em segundo lugar. Daí, Volume 8 e, por último, Stomp 442. Essa seria a minha ordem.
https://www.youtube.com/watch?v=FI83RFPXw5s
Preciso te perguntar: por que We've Come for You All esse é o seu favorito?
SI: Simplesmente acho que é o melhor. Não sei porquê. Por que alguma coisa é a favorita de alguém? Ela te faz sentir de um jeito específico, diferente de como outras coisas te fazem sentir.
Eu imaginava uma resposta assim. E minha última pergunta é sobre Among the Living, um álbum que completará 40 anos no ano que vem. Você costuma descrever esse álbum como um divisor de águas e ali há músicas muito importantes para vocês, como "I'm the Law", "Indians" e "Caught in the Mosh". Hoje, quase 40 anos depois, como você vê esse álbum?
SI: Novamente, a mesma resposta: adoro, é ótimo. Adoro tocar as músicas. É quase como um sonho quando penso nas gravações e vejo fotos nossas gravando aquele álbum. Uma pena que não haja filmagens, mas há muitas fotos do estúdio, e eu olho aquilo e penso: quem são essas pessoas? Foi como se tivesse sido três vidas atrás. Fico impressionado com a forma como conseguimos. Éramos crianças. Quando começamos a gravar Among the Living, eu tinha 22 anos. Quando estávamos compondo, eu tinha 21 ou 22. Era apenas o segundo álbum em que eu escrevia letras. Eu pensava: "Como diabos conseguimos fazer isso?" Lembro de criarmos "Indians" e "Caught in the Mosh" e ficarmos tipo: "meu Deus, isso é tão bom, é melhor do que qualquer coisa em Spreading the Disease". Percebíamos que estávamos melhorando. Nunca dissemos que precisávamos criar o melhor álbum de todos os tempos. Éramos apenas um bando de garotos compondo músicas que queríamos ouvir. E veja só o que fizemos. Ainda me impressiona. Isso me mostra o quanto nos importávamos e o que estar na banda significava para nós. Não era só por diversão. Não era brincadeira. Não era só: "ah, estamos numa banda e se não der certo, vou fazer outra coisa". Isso me provou que éramos para a vida toda, que tínhamos nascido para fazer isso. E mesmo com 22 anos, a gente já sabia que faríamos um disco que abriria portas para sermos uma banda pelo tempo que quiséssemos — o que é uma coisa incrível de se fazer aos 22 anos."
https://www.youtube.com/watch?v=zlLn0UicWrM&list=RDzlLn0UicWrM&start_radio=1&pp=ygUOYW50aHJheCBjYXVnaHSgBwE%3D
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