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De Berlim: Wim Wenders dirige seu primeiro filme em 3D

13 fev 2011 - 15h38
(atualizado às 15h56)
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Julia Dócolas
Direto de Berlim

Pina , o aguardado documentário sobre Pina Bausch, dançarina mais influente da Alemanha e criadora do estilo "tanztheater" (peças de dança), será exibido ao público pela primeira vez neste domingo (13), no Festival de Berlim. O longa, em formato 3D, foi um grande desafio para o diretor Wim Wenders, não pelas dificuldades com a tecnologia, mas pela grande perda da dançarina em 2009, em função de um câncer.

O projeto do longa surgiu quando Pina estava viva e quase foi descartado com a sua morte. No entanto, a influência e admiração pela artista foi determinante para Wenders, que alterou completamente o roteiro e o transformou numa mistura de documentário e espetáculo. "Tínhamos planejado tudo e, de um dia para o outro, nada mais daquilo podia ser feito. Pina já tinha escolhido quatro peças para gravar e iríamos acompanhá-la nas turnês pela América do Sul e Ásia. Gravamos as peças que ela sugeriu e a partir de então recriamos tudo. A voz e a expressão dos dançarinos se tornaram a voz dela", conta o diretor.

Pina Bausch era amiga próxima de Wenders e uma inspiração. Ao falar da influência do trabalho da dançarina, o diretor se emocionou. "Como diretor de filmes ou motion pictures, eu achava que entendia de movimento. Mas quando vi pela primeira vez Pina dançar, me dei conta que eu nunca poderia decifrar, criar movimento, expressar o que o corpo diz, da maneira que ela conseguia. Vi que eu ainda era um principiante e até hoje me sinto assim", afirma.

O filme divide-se entre as peças criadas e executadas por Pina e sua companhia, composta por pessoas de diversas idades, culturas e nacionalidades, e depoimentos dos dançarinos sobre a experiência ao seu lado.

Os artistas se expressam no seu idioma nativo, o que torna o filme multicultural e intimista, características presentes na personalidade da própria Pina, de acordo com Julie Shanan, que dançou durante 22 anos ao lado dela. "Com Pina, me sentia vulnerável e protegida. Ao mesmo tempo que ela conseguia penetrar fundo nas nossas almas, era algo sem julgamentos. Era um auto-conhecimento. Quando ela estava viva, falava muito da importância do amor e eu pensava 'amor, sei'. Agora que ela se foi, eu sinto presente esse amor e essa confiança. Mesmo sendo ainda muito difícil fazer as peças sem Pina, a presença dela é incrivelmente forte entre nós".

Apesar do tom de luto fortemente presente no filme, a importância da artista para os dançarinos da Tanztheater Wuppertal e a força de suas performances fazem do filme uma obra de arte que se torna imortal com o tempo, como explicou a dançarina Barbara Kaufmann. "Fazer o filme me deu vontade de continuar. 'Ponha-se no palco', dizia ela nos ensaios. Passei a me abrir novamente, manter a busca e nunca desistir".

Documentário 'Pina', de Wim Wenders, será apresentado hoje no Festival de Berlim
Documentário 'Pina', de Wim Wenders, será apresentado hoje no Festival de Berlim
Foto: Getty Images
Fonte: Especial para Terra
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