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Daniel Vorcaro relata tortura psicológica e ameaças na prisão: 'Para sempre'

Ex-banqueiro afirma ter sofrido maus-tratos e intimidações para não mencionar diretor-geral da Polícia Federal em possível delação premiada

2 set 2026 - 18h34
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Resumo
Em depoimento ligado ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro afirmou ter sofrido tortura psicológica e ameaças na prisão para não citar integrantes da PF, incluindo o diretor-geral Andrei Rodrigues, em delação premiada. A oitiva foi gravada e confirmada pelo ministro. Em contrapartida, membros da PF e da PGR contestam os relatos, apontando falta de provas e sugerindo uma manobra para reabrir negociações de acordo sem o envolvimento da corporação.

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou ter sofrido tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas enquanto estava preso. O relato foi feito em depoimento ligado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Reprodução/Agência O Globo
Reprodução/Agência O Globo
Foto: Mais Novela

Segundo informações da coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Vorcaro relacionou as supostas intimidações a uma possível colaboração premiada. De acordo com a versão apresentada por ele, o objetivo seria impedir que mencionasse integrantes da Polícia Federal (PF).

O ex-banqueiro também afirmou que as supostas ameaças teriam relação com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Interlocutores do chefe da PF, no entanto, negaram proximidade entre os dois.

Daniel Vorcaro relata supostos maus-tratos

No depoimento, Vorcaro afirmou que chegou a ter os olhos vendados durante uma transferência entre unidades prisionais. Além disso, relatou ter sido submetido a forte calor dentro de um camburão.

Ainda segundo o ex-banqueiro, agentes responsáveis pela escolta teriam feito ameaças relacionadas a uma eventual menção ao nome de Andrei Rodrigues. Conforme o relato, ele teria sido advertido de que permaneceria preso "para sempre" caso falasse sobre o diretor-geral.

Vorcaro também acredita que a Polícia Federal teria recusado três tentativas de negociação de uma colaboração premiada porque o conteúdo poderia mencionar Andrei Rodrigues.

O depoimento ocorreu sem a participação da Polícia Federal e contou com a presença de um representante do Ministério Público. A oitiva também foi registrada em vídeo.

PF e PGR contestam relato

Nesta quarta-feira (2), André Mendonça confirmou a realização do depoimento. Segundo o gabinete do ministro, a defesa de Vorcaro pediu que ele fosse ouvido com urgência e alegou que o ex-banqueiro vinha sofrendo "graves intimidações".

O ministro também informou que assuntos relacionados a Alexandre de Moraes, também ministro do STF, não foram tratados durante a oitiva.

Por outro lado, integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) contestaram as acusações. Segundo a apuração da Folha de S.Paulo, eles afirmam que Vorcaro não apresentou elementos concretos suficientes para comprovar os supostos maus-tratos.

Esses interlocutores avaliam ainda que as acusações poderiam fazer parte de uma tentativa de reabrir as negociações para uma colaboração premiada sem a participação da PF.

Já interlocutores de Andrei Rodrigues negaram qualquer relação próxima entre o diretor-geral e Vorcaro. Segundo eles, os dois se encontraram apenas uma vez, de maneira casual, durante um evento jurídico realizado em Londres.

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