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Com ritmos brasileiros, Mangueira encerra o 2º dia na Sapucaí

17 fev 2010 - 04h11
(atualizado em 17/2/2010 às 22h00)
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Com o samba enredo Mangueira é música do Brasil, a Mangueira última escola de samba que se apresentou na Marquês no carnaval de 2010, impressionou com o carro abre-alas de aproximadamente 65 metros de comprimento, que retratou o morro e seus barracos. Um enorme painel destacou a figura do malandro carioca. Depois de um ano difícil e em processo de reestruturação financeira, a verde e rosa utilizou na primeira alegoria mil metros quadrados de espelhos para decorar o carro.

A ousadia da escola de samba também foi levada ao público com a instalação de 50 mil flores para decorar o carro que representou o movimento da Tropicália. A história da música brasileira foi interpretada pelo que a agremiação chamou de "os tenores". A história da música contemplou ainda uma crítica a censura imposta durante o regime militar.

Com uma escultura de caveira em repúdio ao silencio cortado, em um dos carros a Mangueira trouxe a transformista Rogéria, que veio dentro de uma jaula dourada, como símbolo da época em que as composições não podiam ser divulgadas livremente.

Sob a administração de Ivo Meirelles, a Estação Primeira de Mangueira não esqueceu de homenagear o funk carioca. O carro que fechou a apresentação da verde e rosa trouxe artistas do funk e alguns DJs. Ritmos como Bossa nova, Iê-iê-iê e Jovem Guarda, representado pelo Calhambeque que percorreu a passarela do samba, também foram reverenciados pela agremiação.

Destaque

A frente da bateria, que teve a coreografia assinada pelo professor de dança Jaime Aroxa, comandada pelo mestre Jaguará filho, brilhou com a modelo e atriz Renata Santos - capa da revista Playboy do mês de fevereiro. Durante a apresentação, a famosa paradinha da bateria parou todos os instrumentos.

A irreverência ocorreu diversas vezes durante a apresentação. Incrementando ainda mais a apresentação, a fantasia da bateria intitulada de "músicos censurados" trouxe uma grade de metal que envolveu todos os 250 ritmistas. A atuação representou os artistas censurados durante a ditadura militar.

O carro abre-alas da verde e rosa teve um princípio de incêndio, mas rapidamente as chamas foram controladas pelo Corpo de Bombeiros. O fogo atingiu o papel picado que estava no chão do carro. A Mangueira fez uma homenagem à diversidade musical do Brasil, levando alguns nomes de músicas em algumas de suas alas. "Chega de Saudade" e "Samba do Avião" foram alguns dos destaques.

Fechando as apresentações, a Mangueira lembrou de algumas bandas nacionais emblemáticas como Os Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Os Aboboras Selvagens e Mamonas Assassinas - cada uma delas retratada em uma ala da escola.

Histórico

O Grêmio Recreativo Estação Primeira de Mangueira teve sua fundação no dia 28 de março de 1929. Ela chegou a vencer por 17 vezes a apresentação e teve entre os sambas-enredos os clássicos Vale do São Francisco (1948), As Quatro Estações do Ano (1955) e Cem Anos de berdade, Realidade ou Ilusão (1988). Conhecida por ter em sua fundação personalidades marcantes como o compositor Cartola, a Mangueira é uma das mais queridas do Rio.

O enredo deste ano foi Mangueira é música do Brasil, homenageando a história da escola com seus 81 anos. O Mestre de Bateria é Jaguara Filho guiando um grupo de 300 compontentes e contando ainda com a coreografia geral de Jayme Aroxa.

Ficha técnica

Presidente: Ivo Meirelles

Carnavalescos: Jayme Cesário e Jorge Caribé

1º casal de mestre-sala e porta-bandeira: Raphael Rodrigues e Marcella Alves

Intérpretes do samba: Luizito, Zé Paulo Sierra e Rychahs

Rainha da Bateria: Renata Santos

Cores: Verde e Rosa

Posição no Carnaval de 2009:

Passistas vestidos de policiais relembram a época da censura
Passistas vestidos de policiais relembram a época da censura
Foto: Bruno Gonzalez / Futura Press
Fonte: Terra
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