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Vasos antigos revelam segredos da mumificação no Egito

Dados surgiram após 'laboratório' de 2,6 mil anos ser achado

2 fev 2023 - 09h30
(atualizado às 09h36)
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Um grupo de especialistas e arqueólogos internacionais descobriu segredos inéditos do processo de mumificação realizado no Egito há mais de 2,6 mil anos ao estudar 31 vasos antigos encontrados em uma espécie de laboratório em Saqqara, no sítio arqueológico usado para enterros.

Vasos antigos encontrados em 'laboratório' de mumificação em Saqqara revelou segredos de embalsamamento
Vasos antigos encontrados em 'laboratório' de mumificação em Saqqara revelou segredos de embalsamamento
Foto: ANSA/ Saqqara Saite Tombs Project, University of Tübingen, Tübingen, Germany. Fotógrafo: M. Abdelghaffar / Ansa - Brasil

Nos vasos achados em 2016, que pertenciam à 26ª dinastia (664 a.C. a 525 a.C.), haviam etiquetas com os nomes dos componentes e como eles deveriam ser usados nos processos de embalsamamento dos corpos - alguns eram para partes específicas do corpo.

Entre eles, estavam cera de abelha, óleo de cedro, zimbro, betume, resina de pistache, goma de damar e resina de elemi.

O estudo foi publicado na revista "Nature" após o trabalho dos especialistas liderados pela Universidade Ludwig Maximiliam de Munique, na Baviera, e pela Universidade de Tubinga, ambas da Alemanha, com o Centro Nacional de Pesquisa do Cairo, no Egito.

Também participou a Universidade de Turim.

"Conhecíamos o nome de muitos desses ingredientes para o embalsamamento desde quando foram decifradas as antigas escrituras egípcias, mas até agora só podíamos imaginar quais as substâncias estavam atrás de cada um dos nomes", disse uma das pesquisadores de Tubinga, Susanne Beck.

Uma das descobertas, explica outra pesquisadora da mesma instituição, Maxime Rageot, é o que os egípcios chamavam de "antiu", e que era traduzido comumente como mirra ou incenso. Na verdade, era uma mistura de vários ingredientes "que foram separados com a ajuda de cromatografia a gás e espectrometria de massa". Entre eles, estavam o óleo de cedro, óleo de zimbro e gordura de origem animal.

Outro ponto do estudo é o chamado "óleo sagrado", uma mistura dos óleos de pistache e de rícino que era usado apenas para a cabeça. Havia ainda outras misturas para lavar o corpo ou para deixar a pele macia antes da colocação das bandagens.

"O que nos surpreendeu muito é que a maior parte das substâncias usadas para o embalsamamento não vinha do Egito. Alguns dos ingredientes foram importados de outras regiões do Mediterrâneo, da África tropical e do sudeste asiático", explica o arqueólogo da Universidade de Munique, Philipp Stockhammer.

Por conta disso, Rageot afirmou ainda que "provavelmente, a mumificação egípcia teve um papel importante no nascimento das primeiras redes de comércio globais".

"Graças a todas as inscrições nos vasos, no futuro, estaremos aptos a decifrar mais o vocabulário da antiga química egípcia que até hoje não entendíamos muito", finalizou. .

Ansa - Brasil
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