Ucrânia critica Festival de Veneza por incluir filme de diretor nascido na Rússia
'Dau', de Ilya Khrzhanovsky, é um dos 20 concorrentes ao Leão de Ouro
O governo da Ucrânia criticou a inclusão do filme "Dau", do diretor nascido na Rússia Ilya Khrzhanovsky, na seleção oficial do Festival de Cinema de Veneza, que será realizado entre os dias 2 e 12 de setembro.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Kiev disse que "ceder uma das plataformas culturais mais prestigiosas do mundo a um projeto ligado ao Estado russo e às suas redes de influência envia um sinal extremamente preocupante".
A pasta ainda acusou Moscou de "destruir sistematicamente as cidades, o patrimônio cultural e a identidade cultural" da Ucrânia.
Khrzhanovsky, 51 anos, é nascido na Rússia, mas se opõe à invasão contra o país vizinho e foi declarado como "agente estrangeiro" pelo regime de Vladimir Putin em 2024. No mesmo ano, o cineasta renunciou à cidadania russa.
No entanto, segundo o site ucraniano The Kyiv Independent, "Dau" foi financiado pelo empresário russo Sergey Adonyev, que é alvo de sanções dos Estados Unidos.
"Convocamos o Festival de Cinema de Veneza e a comunidade cultural em geral a reconhecerem como a Rússia transforma a cultura em um instrumento de sua guerra híbrida e a deixarem de tratar projetos culturais apoiados pelo Kremlin como politicamente neutros", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia.
Com mais de três horas de duração, "Dau" é uma coprodução entre Alemanha, França e Suécia e narra a história do físico e matemático Lev Landau ao longo de quatro décadas da União Soviética.
O filme tem como pano de fundo o desenvolvimento da bomba atômica pelo país comunista e começou a ser produzido em 2006.
As cenas se passam sobretudo dentro de um instituto de pesquisas soviético, em meio a privilégios, hierarquias rígidas e vigilância constante. "Dau" é um dos 20 longas concorrentes ao Leão de Ouro em 2026.
Essa não é a primeira vez neste ano que a Ucrânia protesta contra as escolhas da Bienal de Veneza. No primeiro semestre, Kiev criticou a decisão da entidade de permitir a reabertura do pavilhão russo em sua Exposição Internacional de Arte, medida que levou a União Europeia a suspender uma contribuição de 2 milhões de euros para a Bienal.
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