Nobel de Literatura de 2026 vai para canadense Anne Carson
Poeta e ensaísta foi laureada por 'criar novas formas de literatura'
A escritora canadense Anne Carson, de 76 anos, venceu o Nobel de Literatura de 2026. A Academia Sueca premiou sua obra ousada e inventiva, célebre pela escrita híbrida que une poesia, prosa e ensaio para reinterpretar clássicos gregos sob uma ótica contemporânea, com destaque para livros como "Autobiografia do vermelho" e "Eros, o doce-amargo". A conquista de Carson mantém a alternância entre homens e mulheres na premiação, padrão observado desde 2017.
A Academia Sueca anunciou nesta quinta-feira (8) a escritora canadense Anne Carson como vencedora do Nobel de Literatura em 2026.
Segundo comunicado divulgado pela instituição, a poeta de 76 anos foi laureada "por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea".
Ingrid Carlberg, secretária permanente da Academia Sueca, contou que a canadense está na Islândia e ficou "surpresa, mas muito feliz, com a conquista". "Ela teve tempo de me dizer que, neste momento, se encontra na Islândia escutando o vento", declarou.
Nascida em Toronto, em 1950, Carson era presença frequente nas bolsas de apostas para o Nobel e é dona de uma escrita híbrida que mistura poesia, prosa, ensaio e filosofia, frequentemente reinterpretando clássicos gregos e helenísticos sob um olhar contemporâneo.
Seu livro mais conhecido é "Autobiografia do vermelho", um romance em versos no qual recria o mito grego de Gerião, monstro alado exterminado por Héracles (ou Hércules) em um de seus 12 trabalhos.
Na obra, Gerião é repensado como um menino sensível e introspectivo que se apaixona por Héracles, aqui representado como um jovem indiferente e magnético, abordando temas como a dor de um amor desigual, a vergonha de ser diferente e a busca por pertencimento.
De acordo com a Academia Sueca, "Autobiografia do vermelho" demonstra a "extraordinária habilidade de Carson para dar à tradição literária clássica um sentimento intensamente contemporâneo".
Já em "Eros, o doce-amargo", a canadense rompe as fronteiras dos gêneros literários, misturando ensaio, teoria e poesia para apresentar um panorama sobre as interpretações do amor.
Com a vitória de Carson, o Nobel de Literatura dá sequência à alternância entre homens e mulheres que perdura desde 2017.
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