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"Gêmea" de Mona Lisa leva multidões a museu espanhol

21 fev 2012 - 20h17
(atualizado às 22h43)
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Ela tem o mesmo sorriso enigmático da original: é a Mona Lisa do Prado, uma cópia da obra de arte de Leonardo da Vinci feita lado a lado com o mestre por um artista desconhecido, que, como sua "gêmea", levou multidões nesta terça-feira (21) à sua apresentação em Madri.

"É a versão mais importante da Mona Lisa entre todas as conhecidas até o momento", explicou em um auditório a pesquisadora Ana González Mozo, do Gabinete de Documentação Técnica do Museu do Prado.

Esta Mona Lisa estava no inventário do célebre museu espanhol desde a sua abertura, em 1819, e nunca tinha sido exposta, porque, segundo ela, se parecia com qualquer outra cópia de Leonardo. Até que um profundo trabalho de pesquisa encomendado pelo Museu do Louvre no início de 2010, seguido por uma delicada restauração, permitiu descobrir que os dois quadros haviam sido pintados ao mesmo tempo pelo mestre e por um aluno, cuja identidade é um mistério.

A posição dos dedos, delicadamente repousados sobre o punho, os retoques feitos no véu, o decote, todas essas "dúvidas" estão em qualquer tela, indicou Mozo. "Cada uma das correções se repete", explicou a pesquisadora. "Um copista tradicional copia o que vê". Mais: sobrepostas, as imagens ainda revelam que as duas Mona Lisas têm praticamente o mesmo tamanho.

Há, no entanto, uma diferença singular entre as obras: a Gioconda de Leonardo da Vinci tem o rosto mais fino e amarelado por camadas de pintura oxidada, além de não possuir sobrancelhas. Ao fundo das duas "gêmeas" aparece ainda uma paisagem montanhosa, que, na tela madrilena, ficou escondida no século XVIII por um fundo opaco.

Durante mais de cinco meses, a equipe de restauração do Prado trabalhou para abrir "uma janela que ficou fechada durante dois séculos", explicou a restauradora do quadro, Almudena Sánchez.

Uma das poucas obras atribuídas com certeza a Leonardo da Vinci, o retrato da Mona Lisa é uma pintura a óleo feita sobre um painel de madeira entre os anos de 1503 e 1506. Representa um busto, provavelmente o da florentina Mona Lisa de Giocondo.

Como uma cópia, a versão madrilena da obra "foi pintada ao mesmo tempo, introduzindo as mesmas mudanças", destacou nesta terça Gabriele Finaldi, diretor adjunto de Conservação e Pesquisa do Museu do Prado. "É como se o pintor deste quadro estivesse trabalhando no cavalete ao lado do mestre", disse, classificando a cópia do Prado de "gêmea" da Gioconda francesa.

Diferenças fundamentais

Enquanto Leonardo da Vinci utilizava a técnica de "sfumato", desfocando partes da paisagem ao fundo de sua Gioconda, o pintor da cópia do Prado era mais preciso em sua execução. Para Miguel Falomir, chefe do Departamento de Pintura italiana anterior ao Século XVIII no Prado, a autoria da cópia pode ser de Sala (1480-1524) ou de Francesco Melzi (1491-1572/73), "os alunos mais próximos do mestre, herdeiros de sua obra".

Apesar de sua inferioridade técnica, foi difícil ver a Mona Lisa espanhola nesta terça, já que ela ficou o dia inteiro cercada por curiosos na sala onde ficará exposta por três semanas. Depois ela se juntará à sua "gêmea" no Louvre, a partir de 26 de março, para uma exposição temporária.

O melhor de tudo é que a restauração oferece uma "série de dados e pistas para que se conheça melhor o quadro original", destacou nesta terça Gabriele Finaldi. "Estamos no início de um processo mais amplo de pesquisa", concluiu.

A "gêmea" da Mona Lisa exposta em museu espanhol
A "gêmea" da Mona Lisa exposta em museu espanhol
Foto: AFP
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