Dezenas de artistas da Bienal de Veneza pedem renúncia a prêmio final
Participantes alegaram 'solidariedade' ao júri, que abandonou evento
Dezenas de artistas participantes da 61ª Bienal de Arte de Veneza, em curso na Itália até 22 de novembro, solicitaram à fundação responsável pelo evento para excluir seus nomes da participação ao prêmio final.
Segundo a EFE, o anúncio, feito inicialmente por cerca de 50 concorrentes, foi publicado na revista de arte contemporânea E-Flux, uma das mais prestigiadas do setor, assim que o júri da Bienal renunciou ao trabalho nesta edição do evento, no final de abril, devido às participações da Rússia e de Israel.
Como não foram atendidos, um total de 77 artistas de nacionalidades diversas refez o pedido em solidariedade aos ex-jurados, que tinham a brasileira Solange Farkas como presidente.
Com a saída do júri, que deveria avaliar trabalhos de artistas de inúmeras delegações, a Fundação Bienal criou os prêmios "Leões dos Visitantes" com base no voto popular.
"Para sermos claros: não temos problema algum com os visitantes votando nos prêmios", disseram os artistas em comunicado. "Mas criar os prêmios nesta fase desvia a atenção da renúncia do júri e contradiz diretamente o processo com o qual todos concordamos quando aceitamos o convite para expor nosso trabalho. Não queremos fazer parte disso", acrescentaram.
A polêmica na 61ª Bienal de Arte de Veneza teve início em fevereiro, quando a Rússia, que invadiu a Ucrânia há quatro anos e estende o conflito até o momento, manifestou interesse em reabrir seu pavilhão, tendo sido aceita pelos organizadores do evento no mês seguinte.
A crise se estendeu para Israel, após o massacre palestino na Faixa de Gaza.
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