Cineasta Alex Pachón conta como Brasil será homenageado em festival de arte internacional
Em entrevista à CARAS Brasil, Alex Pachón revela como Brasil receberá uma homenagem no Festival Fiver, que acontece em Madrid; saiba tudo
Com um olhar sensível e uma mente inquieta, o cineasta e artista digital espanhol Alex Pachón desembarcou no Brasil neste mês de julho para participar do Festival Cidade da Cultura, promovido pelo Polo Cultural. Conhecido por explorar as fronteiras entre dança contemporânea, cinema e novas mídias, Pachón vem com uma missão especial: selecionar bailarinos brasileiros que integrarão a próxima edição do Festival Internacional de Cine, Danza y Nuevas Mídias (Fiver), na Espanha, evento do qual é diretor e que, este ano, homenageia o Brasil. Em conversa com a CARAS Brasil, ele revelou detalhes.
A vinda ao país, no entanto, não é novidade para o artista, que mantém uma relação afetiva e criativa com o Brasil desde 2008, quando viveu no Rio Grande do Sul durante um intercâmbio de doutorado. Desde então, suas conexões com a cena cultural brasileira só se aprofundaram, com passagens marcantes por festivais na Bahia, Ceará e Itacaré. Morando atualmente em Badajoz, na Espanha, a poucos quilômetros de Lisboa, ele mantém um vínculo estreito com a língua portuguesa — falada com fluência e um simpático sotaque "um pouco estranho", como ele mesmo brinca.
O Festival Fiver deste ano homenageia o Brasil. O que podemos esperar dessa celebração e como foi o processo de curadoria para incluir artistas brasileiros na programação?
"Ainda não posso adiantar muitos detalhes, pois a programação oficial será divulgada na primeira semana de agosto. Mas posso dizer que teremos uma edição muito especial, que acontecerá na segunda semana de setembro no Centro Danza Matadero, Madrid, um dos espaços culturais mais importantes da Espanha. Será uma celebração viva, pulsante, como o próprio Brasil.No que diz respeito à curadoria, estamos trabalhando com muito cuidado e escuta para garantir uma representação plural e significativa. Já posso adiantar que teremos artistas incríveis como Natalia Fernandes e Calixto Neto entre os convidados, e outros filmes e nomes que ainda serão revelados. Vai ser uma verdadeira festa de trocas artísticas entre Brasil e Espanha."
Você transita entre dança, cinema e novas mídias. Como enxerga o papel da tecnologia na arte contemporânea e de que forma ela dialoga com a expressividade dos corpos em movimento?
"Eu trabalho profissionalmente com efeitos visuais e pós-produção digital de cinema, e neste momento da minha carreira me sinto atravessando uma fase em que procuro integrar esse background técnico com uma investigação artística mais profunda sobre o corpo e sua representação nas telas. A tecnologia, para mim, oferece um campo riquíssimo para repensar e ressignificar o corpo em movimento. Estou muito influenciado pela teoria do corpo expandido da artista e pesquisadora Lula Roth. A partir dessa teoria, desenvolvi o projeto "Cuerpo Expandido", que nasceu do desejo de explorar novas formas de representar o corpo em grande escala, em espaços públicos e superfícies não convencionais. Um exemplo disso foi a realização do projeto no dispositivo 'Fachada Media' do Centro de Arte e Tecnologia Etopia, na Espanha. No meu trabalho, uso a tecnologia para questionar os limites da forma humana: o que estamos realmente vendo? É um corpo humano ou uma criatura saída do nosso inconsciente, talvez com traços de ficção científica? Essa ambiguidade me interessa muito, pois permite novas experiências perceptivas e emocionais com o corpo em movimento".
Você já tem uma relação de longa data com o Brasil. O que mais te encanta na cultura brasileira e como essa conexão influencia sua criação artística?
Sem dúvida, o que mais me encanta na cultura brasileira é a sua riqueza e diversidade infinitas. É realmente impressionante a quantidade de nomes, vozes e talentos que o Brasil tem oferecido ao mundo, em todas as áreas artísticas. Meus amigos na Espanha sempre me identificam por tocar e cantar músicas de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Jobim… e nomes mais atuais como Los Hermanos (Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo), Ana Frango Elétrico ou Tim Bernardes. Isso forma parte do meu cotidiano, da minha identidade afetiva e criativa.No campo mais ligado à minha carreira, sou completamente fascinado pelo cinema pernambucano. A obra de Kleber Mendonça Filho, especialmente Retratos Fantasma, foi uma grande inspiração — uma carta de amor ao cinema e à cidade de Recife, cheia de emoção e poesia."
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