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Autor de premiada biografia de Mussolini promete surpreender leitores

Segundo livro da trilogia de Antonio Scurati chegou na Itália

23 set 2020
10h37
atualizado às 13h22
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A solidão de Benito Mussolini e a distância entre o homem público e o privado. Esse é o fio condutor da segunda parte da trilogia iniciada por "M, o filho de século", premiada obra do escritor Antonio Scurati que já vendeu mais de 500 mil cópias e foi traduzida em 40 países.

Antonio Scurati venceu o Prêmio Strega por sua biografia de Mussolini
Antonio Scurati venceu o Prêmio Strega por sua biografia de Mussolini
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"M. L'uomo della provvidenza" ("M, o filho da providência", em tradução livre) conta os anos de apoteose do fascismo e a consciência do próprio Mussolini de que não poderia manter as promessas feitas.

"Existe uma narrativa dupla de Mussolini: de um lado, a projeção do imaginário coletivo, da propaganda, das mil estátuas, uma espécie de ídolo; de outro, aprofundo as suas solidões, conto a solidão absoluta do poder, que é verdadeira para qualquer forma de poder, mas de modo particular para Mussolini, porque ele, enquanto caminhava rumo à ditadura, criou um vazio em torno de si", diz Scurati em entrevista à ANSA.

Segundo o escritor, Mussolini sacrificou antigos companheiros sem pensar duas vezes sempre que lhe foi cômodo e afastou todas as pessoas que pudessem se vangloriar de qualquer forma de amizade com ele.

"Existe uma cena, entre as mais melodramáticas, patéticas ou comoventes do livro, quando ele liquida de maneira brutal Margherita Sarfatti, que havia sido a única mulher que realmente importara em sua vida. Quando o destino de um país depende de um único homem, torna-se necessariamente um destino funesto", acrescenta.

"M. L'uomo della provvidenza" chega às livrarias italianas nesta quarta-feira (23) e, segundo Scurati, deixará muitos leitores "chocados" com um longo trecho dedicado a uma "revelação". "É um episódio pouco conhecido até por historiadores e ignorado por quase todos nós: os crimes de guerra horrendos que os italianos cometeram em 1930 e 1931 na campanha na Líbia", diz.

Isso inclui a deportação forçada de 100 mil civis e a criação de uma ampla rede de campos de concentração. "Os campos de concentração que estamos habituados a associar ao fascismo alemão foram, em certa escala, uma criação do fascismo", afirma o escritor.

"M, o filho do século" se tornou sucesso de público e crítica ao retratar a trajetória de Mussolini sem a aridez dos livros de história, mas unindo técnicas do romance a uma farta base documental. "Não queria fazer de Mussolini um herói trágico e escolhi um método de trabalho muito rigoroso, muito fiel às fontes documentais, o que gerou uma nova forma de narração", explica.

"M. L'uomo della provvidenza" será publicado no Brasil pela editora Intrínseca, mas ainda não tem previsão de lançamento. Já a terceira parte da trilogia iniciará com a visita de Adolf Hitler à Itália em 1938, mas Scurati ainda não começou a escrever o livro.

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