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'A música brasileira tem essa coisa que todo mundo gosta': Festival de Choro reúne mestres em Roterdã

O Festival do Choro de Roterdã realiza no próximo domingo, 22 de março, a sua 13ª edição, reunindo dois nomes de destaque da música instrumental brasileira: o pianista, compositor e arranjador Cristóvão Bastos, autor de clássicos como "Todo o Sentimento", e o violinista de sete cordas Rogério Caetano, referência no instrumento. A apresentação acrescenta um novo capítulo à relação duradoura entre o país europeu e o gênero musical nascido no Rio de Janeiro.

17 mar 2026 - 16h36
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À frente da direção artística do festival está o cavaquista holandês Marijn van der Linden, fundador da Escola Portátil de Música (EPM) da Holanda, a primeira filial da carioca Casa do Choro fora do Brasil. Há anos, Marijn constrói pontes entre a música brasileira e a Europa.

O cavaquista holandês Marijn van der Linden, diretor artístico do Festival do Choro de Roterdã.
O cavaquista holandês Marijn van der Linden, diretor artístico do Festival do Choro de Roterdã.
Foto: © Divulgação / RFI

"O choro é sempre bem recebido aqui. A música brasileira tem essa coisa que todo mundo gosta: coloca um sorriso no rosto", diz. "E, nesses dias de guerra, o povo está precisando de um pouco de alegria e felicidade. A música brasileira traz isso", acrescenta Marijn, com entusiasmo.

Uma escola pequena que sustenta um festival internacional

Sem patrocínios fixos e com atividades concentradas nos sábados, a EPM da Holanda cresceu de forma orgânica. Hoje reúne cerca de 70 alunos, entre brasileiros recém‑chegados e holandeses com vínculos afetivos com o país. É dessa estrutura enxuta que nasce a programação anual do festival.

"Eu vejo quem está circulando pela Europa, quem está perto, quem está em Paris, quem está em turnê. Isso viabiliza o festival", explica Marijn.

No ano passado, um imprevisto abriu espaço para a participação de Hamilton de Holanda, ídolo do cavaquista. "Foi um sonho", lembra. Em 2026, o festival ganha um reforço institucional importante: pela primeira vez, recebe apoio da Embaixada do Brasil na Holanda.

 

Um encontro pessoal com o choro

Formado originalmente em guitarra e violão jazz, Marijn viu sua trajetória mudar ao descobrir o choro. Já fascinado pela música brasileira, começou no cavaquinho com DVDs e livros, em tempos pré‑YouTube. A virada aconteceu em 2008, quando viajou ao interior de São Paulo para o Festival de Choro da Escola Portátil.

"Foi meu batizado no choro", recorda. Lá conheceu sua futura professora, Luciana Rabello, e mergulhou no universo de Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo e na linguagem que hoje transmite a seus alunos em Roterdã.

Brasil diverso dentro e fora do palco

O festival vai além da música. Entre concertos, capoeira e gastronomia, há o desejo de apresentar aos holandeses um Brasil mais amplo do que o imaginário carnavalesco costuma permitir.

A cultura brasileira é muito para fora, muito junto. Criança e adulto misturados, tudo conectado", observa Marijn. "O choro é raiz, mas o Brasil é muito grande. É importante mostrar outros lados.

Nesta edição, dois artistas do Ceará ampliam o mosaico: o trombonista e bandolinista Roberto de Oliveira, que vem de Lille (norte da França), e o violonista Samuel Rocha, de Fortaleza. A eles se junta a pianista mineira Maria Inês Guimarães, radicada em Paris. Na cozinha, sabores baianos dividem espaço com pães de queijo. No sábado, os interessados já podem chegar para uma visita à escola EPM e, à noite, participar de uma roda de samba com Rogério Caetano.

No domingo, a programação começa às 15h, em clima de encontro familiar. Crianças de cinco anos tocam seus primeiros choros, dividindo espaço com alunos adultos e com o mais velho da escola, de 82 anos. Essa convivência intergeracional - tão marcante no Brasil - é algo que Marijn faz questão de levar ao público holandês.

No palco principal, Cristóvão Bastos, prestes a completar 80 anos, será celebrado como a lenda que é.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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