'A Investigação Póstuma': game brasileiro mistura Machado de Assis, mistério noir e viagem no tempo
Com Rodrigo Lombardi no elenco, jogo da produtora Mother Gaia adapta universo de autor brasileiro para os videogames
Em 1937, um detetive brasileiro tem 24 horas para resolver o assassinato de uma importante figura do Rio de Janeiro. A vítima? Brás Cubas, personagem central do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis. Caso o detetive falhe em descobrir quem é o assassino e o que motivou o crime, ele é lançado de volta no tempo em um looping temporal, retornando ao começo do dia. A única forma de escapar da repetição é encontrar o matador.
Essa é a premissa do jogo A Investigação Póstuma, que foi lançado pelo estúdio brasileiro Mother Gaia nesta terça-feira, 31. Além de Brás Cubas — que é interpretado pelo ator Rodrigo Lombardi —, o jogo também incorpora outras obras renomadas de Machado no mistério, como Bentinho e Capitu de Dom Casmurro, Dr. Simão Bacamarte de O Alienista e Quincas Borba, que aparece no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, mas também protagoniza o próprio romance.
No game, o jogador assume o papel de um investigador em um Rio de Janeiro com clima de filme noir. Com cenas em preto e branco, o jogo apresenta 14 personagens diferentes com rotinas distintas pela cidade. Para desvendar o mistério, o detetive deve identificar tais rotinas, conversar com cada suspeito, flagrar suas contradições e, caso necessário, manipular seus comportamentos.
A falha em descobrir o real culpado, no entanto, não é o fim da aventura. Ao final do dia, o jogo reinicia e o jogador ganha mais uma chance. O detetive, porém, mantém todo o conhecimento adquirido em jogatinas anteriores. Dessa forma, é possível testar hipóteses, seguir suspeitos e arriscar palpites sem maiores preocupações.
Em entrevista ao Estadão no final de 2024, Bruno Toledo, diretor criativo do jogo, detalhou a influência do Bruxo do Cosme Velho no jogo. "Percebemos que a inserção de personagens da fase realista machadiana se encaixaria muito bem com a temática noir, já que ambos possuíam uma narrativa pessimista e uma crítica à sociedade vigente, com personagens falhos e muitas vezes paranoicos", afirmou.
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Para Toledo, a escolha de Brás Cubas também seguiu um caminho natural dentro do desenvolvimento da obra. "Queríamos ele integrado toda dinâmica de nosso jogo. Ele precisava ter um grande destaque; desta forma criamos no jogo o Limbo, um "não lugar" onde Brás analisa a progressão do detetive [jogador], podendo auxiliá-lo com dicas e até mesmo filosofar sobre seu progresso", contou. Durante esses momentos, é a voz de Rodrigo Lombardi que conversa com os jogadores.
O projeto, que foi iniciado em 2020, foi bastante afetado pela pandemia. Com uma equipe de 13 pessoas, entre programadores, artistas, game designers, roteiristas e designers de som, o game estava previsto para ser lançado em 2025. O sucesso do jogo em eventos internacionais, no entanto, fez com que a obra fosse localizada para outros idiomas e o lançamento adiada para 2026. Ao todo, o jogo está disponível em cinco idiomas — japonês, chinês, russo, inglês e português.
Do gênero point-and-click, o jogo pode ser comprado na loja da Steam por R$ 49,99. Até o momento, só há versões para computadores do game. O estúdio, no entanto, já afirmou que está trabalhando em um porte para Nintendo Switch.