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Sou +Favela cria canal de TV para população periférica

Nova plataforma deve receber aporte de cerca de R$ 8 milhões para criar conteúdos voltados para moradores de milhares de comunidades no País

2 mai 2022 17h26
| atualizado às 17h47
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O projeto Sou +Favela quer expandir a sua comunicação e trazer mais uma ferramenta de interação com a periferia. Depois de explorar o mundo do rádio, dos "minidoors", dos carros de som e da mídia programática, a entidade vai inaugurar a primeira rede de TV independente voltada exclusivamente para o público periférico. O canal virtual +FavelaTV estará presente em cerca de 350 comunidades do País, em parceria do G10 Favelas (organização não-governamental de apoio ao empreendedorismo de impacto social).

Dados do G10 Favelas mostram que aproximadamente 8% dos brasileiros vivem em favelas. Para alcançar este público, o +FavelaTV quer expandir sua atuação. Em até dois anos, a meta é impactar espectadores de até 1500 das mais de 13 mil comunidades do País. Até 2023, a entidade também pretende investir cerca de R$ 8 milhões para a criação de um estúdio de televisão - na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista -, na contratação de profissionais e na produção de conteúdo original.

À esquerda, Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas, e Marx Rodrigues, presidente do novo canal virtual para comunidades.
À esquerda, Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas, e Marx Rodrigues, presidente do novo canal virtual para comunidades.
Foto: Divulgação +Favela TV / Estadão

Para colocar o novo canal no ar, o Sou +Favela conta com a distribuição gratuita de sinal de internet via wi-fi para comunidades em 26 estados e no Distrito Federal. O presidente e fundador do Sou +Favela, Marx Rodrigues, explica que a ideia do canal nasceu por causa de uma série de "deficiências" de mercado em relação à divulgação de mídia e produção de conteúdo voltadas à realidade das favelas.

O +FavelaTV servirá também como uma plataforma de streaming que hospedará os conteúdos originais que serão veiculados no canal. Ainda segundo o idealizador do projeto, todos os produtos ofertados pelo canal serão produzidos por profissionais das comunidades. "Nós temos uma parceria dentro das favelas para capacitar mão de obra especializada. Serão assistentes, produtores e cinegrafistas daqui. É um conteúdo produzido pela favela e para a favela", conta Rodrigues.

Conforme apurou a reportagem, o novo canal deve estrear com uma lista de anunciantes que vai das gigantes do varejo Americanas, Casas Bahia e Positivo. "Temos um potencial de consumo de cerca de R$ 160 bilhões dentro das favelas. As grandes empresas vão querer dialogar com esse público", afirma Rodrigues.

Especialista em marketing da FGV, Lilian Carvalho afirma que o novo canal é uma oportunidade para anunciantes de segmentar sua comunicação e atingir os consumidores locais. Lilian ressalta, contudo, que a comunicação só será efetiva se as empresas entenderem com clareza a realidade desse público. "Essas campanhas de marketing apresentadas no canal não vão poder ser feitas por pessoas da Faria Lima que nunca chegaram à periferia," avalia.

Estadão
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