Como alguns veganos enxergam o crescimento do flexitarianismo
O movimento vegano é uma forma de se posicionar contra todo tipo de exploração de animais, o flexitarianismo não inclui os animais
Atualmente movimentos que questionam nosso consumo e os impactos no meio ambiente, na saúde e na vida de outros animais vem crescendo de maneira significativa.
Porém, com tantos termos, nomenclaturas, fica bastante confuso de entender seus significados e importância.
Há uma diferença muito grande entre veganismo e flexitarianismo. Para entender as diferenças e como nós veganos que lutamos pelo fim da exploração animal enxergamos o flexitarianismo, é necessário entender o que é o flexitarianismo.
No flexitarianismo as pessoas continuam comendo carne, leite, ovos e derivados, só que em menor quantidade.
A nutricionista estadunidense Dawn Jackson Blatner, cunhou esse termo pensando exclusivamente numa alimentação mais saudável e que reduzisse o impacto ambiental causado pela alimentação moderna de países desenvolvidos, com um consumo elevado de produtos de origem animal. Esse estilo de vida, como é considerado, não inclui os animais.
Com o passar do tempo, com mais acesso à informação, a tendência é as pessoas começarem a questionar a forma que estamos consumindo, a exploração animal, o modo de produzir alimentos e todo impacto que isso gera.
Com isso, é comum surgir alternativas, porém, não podemos olhar apenas de uma perspectiva humana, de benefício humano, precisamos ampliar o leque e incluir as outras espécies, que são absurdamente impactadas por nossas escolhas.
Quando escolhemos se tornar flexitarianos apenas pela nossa saúde e pensando somente no meio ambiente, porque não vai ter mundo para os seres humanos, essa é uma forma um pouco humano-cêntrica de olhar o mundo.
Se a proposta do flexitarianismo for continuar com o consumo de animais e derivados, de uma perspectiva ética e até ambiental, não tem uma importância tão relevante.
Adotar o flexitarianismo como estilo de vida e parar por aí, é muito complicado, porque em um estilo de vida flexitariano ainda tem milhões de animais sendo explorados, confinados e assassinados. Pois comer carne 3 vezes por semana, não impede de evitar o sofrimento, a dor e a exploração de animais. É fundamental incluir os direitos dos animais nas nossas escolhas.
No entanto, se as pessoas adotarem o flexitarianismo como uma forma de transição, ao nosso ver, o flexitarianismo é de extrema importância e teria o seu valor, não seria algo a ser descartado, em hipótese alguma.
Temos como objetivo acabar com a exploração animal, gerar mais consciência em relação à forma que nós humanos tratamos os animais neste planeta.
No entanto, também estamos preocupados com a saúde da população, com a destruição ambiental, por isso acreditamos que é importante incluir os animais nesta conta. Não basta apenas diminuirmos o consumo, comer menos animais, não existe menos exploração, o que existe é exploração e crueldade.
O que não podemos negar, é a importância do processo de transição, diminuir o consumo gradativamente e aumentar o consumo de vegetais.
A libertação animal não virá da noite pro dia, levaremos talvez séculos para acabar com a exploração animal. Então, diminuir é importante, mas como transição, não como um frágil estilo de vida.
De modo geral, acreditamos que o flexitarianismo tem um potencial de contribuir com o veganismo, mas para isso ele precisa se deslocar de um individualismo humano, que não inclui as demais espécies.
Se liga:
Quando colocamos como alguns veganos enxergam o crescimento do flexitarianismo é uma forma de dizer como de modo geral o movimento que luta pela libertação enxerga esse movimento que cresce no Brasil e no mundo.
No entanto, cada um enxerga de uma maneira e tem as suas próprias interpretações e podem ter veganos que não enxergam dessa forma.