Vivendi pode evitar venda de participação na Mediaset com um trust
O grupo de mídia francês Vivendi poderia evitar a venda de sua participação de 20 por cento na Mediaset colocando-as em um trust, disse uma fonte do AGCOM, órgão que fiscaliza as comunicações na Itália, nesta quarta-feira.
O AGCOM disse em abril que a crescente participação da Vivendi na Mediaset e no grupo de telefonia Telecom Italia violava as regras que previnem uma concentração de poder no setor de mídia e telecomunicações do país. O regulador exigiu que o grupo francês reduzisse sua participação em uma das duas empresas para menos de 10 por cento.
A Vivendi é a maior acionista individual da Telecom Italia, com 24 por cento, e também possui 29,9 por cento de ações de voto na Mediaset, tornando a francesa a segunda maior investidora da maior emissora privada da Itália, atrás apenas da família do ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi.
"O AGCOM prefere que a Vivendi venda a participação acima de 10 por cento. Contudo, se a empresa transferir as ações para um trust configurado apropriadamente, mas realmente corretamente, isso pode ser permitido", disse à Reuters uma fonte diretamente relacionada ao assunto.
A única condição seria que as ações transferidas nunca pudessem ser usadas pelo grupo francês para votar em reuniões de acionistas da Mediaset, segundo a fonte.
Liderada pelo bilionário Vincent Bollore, a Vivendi tem um ano para cumprir a determinação do AGCOM e evitar uma multa de até 5 por cento de sua receita - 540 milhões de euros. A Vivendi apresentou recurso em um tribunal administrativo italiano e a primeira audiência foi marcada para fevereiro de 2018.
Entretanto, o grupo precisa informar ao órgão como pretende cumprir a ordem de desinvestimento. Na terça-feira, o AGCOM disse que a Vivendi apresentou uma proposta para reduzir sua posição de influência na Mediaset, acrescentando que foram necessárias novas negociações para se certificar de que uma solução "estrutural" foi encontrada.