Tem até Macbook com sangue: público de fóruns do Discord confessa crimes
Comunidades reúnem pessoas que ordenam violência e indivíduos dispostos a fornecer serviços violentos; vídeos de ostentação também circulam
Uma nova comunidade na web em que jovens compartilham relatos de crimes, imagens com sangue e vídeos de ostentação foi recentemente identificada em plataformas como o Telegram e o Discord.
Uma reportagem do portal Vice mostrou nesta terça-feira (20) que o canal, chamado de "Comm", não é uma organização fixa, mas sim uma comunidade diversificada e conectada por meio de plataformas de jogos como Call of Duty e Minecraft.
O Comm reúne majoritariamente jogadores, hackers e usuários dos EUA e Reino Unido que buscam algum tipo de diversão. Atos violentos, como roubos, invasões e assédio de garotas jovens, são exibidos nos vídeos compartilhados, embora a verificação de cada incidente específico seja dificultada.
Os crimes retratados envolvem a troca de SIM — em que hackers assumem o controle do número de telefone de uma pessoa para acessar contas e roubar criptomoedas — além de insultos racistas e homofóbicos, memes e campanhas de assédio, afetando não apenas os membros do Comm, mas também indivíduos inocentes.
Foram relatados incidentes de assédio, abuso, automutilação e ameaças contra vítimas femininas dentro da comunidade. Além disso, os fóruns reúnem pessoas que ordenam violência e indivíduos dispostos a fornecer serviços violentos em canais do Telegram, como assaltos armados, esfaqueamentos e outros.
Os membros do Comm se vangloriam de riqueza, exibindo notas de dinheiro e itens caros obtidos por meio de atividades criminosas.
Imagens divulgadas pelo Vice mostram um suposto roubo em que um jovem de cueca, amarrado nos pulsos, é ameaçado por uma pequena seringa do que uma outra pessoa alega ser heroína. Os raptores do menino ameaçaram injetar a droga, a menos que ele entregasse suas criptomoedas, e o quarto tem sangue espalhado pelo chão e por um Macbook.
Segundo o Vice, autoridades como o FBI estão investigando os membros da comunidade "Comm" e já realizaram prisões relacionadas a atividades criminosas, identificando o canal como “um grupo de criminosos cibernéticos” em autos de processos. Entretanto, nada parece frear a continuidade da atividade dos grupos.