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Por que rojões podem sofrer desvios de trajetória e causar acidentes

Acidente com rojão na virada de ano em Praia Grande (SP) matou mulher de 38 anos

4 jan 2023 - 17h16
(atualizado em 13/1/2023 às 15h55)
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Rojão tem trajetória alterada e acerta mulher de 38 anos
Rojão tem trajetória alterada e acerta mulher de 38 anos
Foto: Reprodução/Redes sociais

Um rojão teve a sua trajetória desviada e explodiu no peito de uma mulher de 38 anos em Praia Grande, no litoral de São Paulo, durante a queima de fogos na virada de ano. Elisângela Tinem comemorava com a família e chegou receber primeiros socorros, mas faleceu no local, logo após o ocorrido. 

Nas redes sociais, circulam vídeos que mostram o momento do acidente: o artefato voa baixo, fazendo uma trajetória curva e, em seguida, para em Elisângela. A vítima e familiares não conseguem tirar o rojão a tempo e ele explode.

A trajetória de rojões envolve alguns conceitos científicos, conforme explica Rebeca Bacani, doutora em física e pesquisadora pela Universidade de São Paulo (USP).

Normalmente, quando um objeto é lançado ao ar, ele faz a trajetória de uma parábola, algo que lembra a metade de uma figural oval. O movimento parabólico pode ser calculado, mas, quando a massa do objeto é alterada durante a trajetória no ar, fica mais difícil.

É exatamente isso que acontece com um rojão. Dentro do artefato, pavio, pólvora e elementos químicos responsáveis pelas cores brilhantes participam de uma reação química que libera calor, chamada de exotérmica.

Bacani explica que, se a disposição dos conteúdos internos do rojão estiver mal feita, se torna quase impossível prever qual trajetória fará o objeto. O mesmo acontece se os fogos estiverem armados de maneira diferente do que é especificado pelo fabricante.  

"Se o lançador usou o rojão da maneira correta, apontando pra cima, com distância de segurança, e o material do rojão está ok, não deveria ocorrer um acidente", diz a doutora.

"Se o rojão tem procedência, seria importante analisar o lote de fabricação e fazer testes pra não haver outros acidentes do gênero. Na minha opinião, a faixa de segurança nesses casos deveria ser aumentada, para que, mesmo que um rojão saia desgovernado, nenhuma pessoa possa ser atingida".

A venda e comercialização de fogos de artifício é proibida em Praia Grande, conforme ressaltou a prefeitura em nota. O caso de Elisângela Tinem foi registrado como homicídio e lesão corporal culposa na Central de Polícia Judiciária de Praia Grande (CPJ), e o 1º DP da cidade tenta identificar e encontrar o autor do crime.

Fonte: Redação Byte
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