Passamos anos nos perguntando por que Roma 're-esculpia' bustos de imperadores para mudar seus rostos. A resposta está na Espanha
Um novo estudo revelou como, onde e por que o Império Romano alterava as feições de suas estátuas (literalmente).
No Museu Britânico, há um busto do século I do imperador Vespasiano que esconde um segredo fascinante: originalmente, ele não retratava Vespasiano, mas sim Nerão. A mudança só aconteceu porque um escultor usou seu cinzel para alterar as feições de Nerão — um dos governantes com pior reputação de Roma — e deixá-lo parecido com o novo líder.
Esse processo, conhecido na arqueologia como recarving (re-entalhe), era muito comum na Roma Antiga. Para entender a fundo essa tendência, as pesquisadoras Francesca Bologna e Raffaella Bucolo analisaram nada menos que 2.028 esculturas imperiais feitas ao longo de três séculos.
Por que os romanos faziam isso?
Durante muito tempo, os especialistas acreditaram que se tratava de uma decisão puramente prática: uma forma de economizar tempo, dinheiro e reaproveitar mármore caro. No entanto, o novo estudo mostra que o fenômeno era muito mais complexo, misturando limites técnicos com forte propaganda política.
Curiosamente, o hábito não funcionava da mesma forma em todas as épocas. Durante a dinastia dos Antoninos (século II d.C.), por exemplo, o "reciclagem" de rostos foi totalmente abandonado. O motivo? A moda da época exigia que os imperadores usassem barbas volumosas e cabelos compridos. Como as estátuas antigas tinham rostos raspados e cabelos curtos, faltava pedra para esculpir as novas barbas. Tirar mármore é fácil, mas criá-lo onde não há é impossível.
Hispania: a capital da 'reciclagem'
A descoberta mais surpreendente da pesquisa é que ...
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