Palantir enfrenta desafio de remover Anthropic do software de IA do Pentágono
A Palantir é a mais recente empresa a enfrentar a dolorosa tarefa de se desligar da Anthropic, na sequência da disputa da startup de inteligência artificial com o Pentágono sobre medidas de segurança, levantando questões sobre uma importante plataforma de software militar norte-americana.
O Maven Smart Systems da Palantir — uma plataforma de software que fornece análises de inteligência e direcionamento de armas para as forças armadas dos EUA— usa várias requisições de usuário e fluxos de trabalho que foram criados usando o modelo Claude da Anthropic, de acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou na semana passada que o governo norte-americano parasse de trabalhar com a Anthropic depois que a empresa chegou a um impasse com o Pentágono, que queria usar a tecnologia da empresa para armas autônomas e vigilância governamental.
A Palantir, que detém contratos relacionados ao Maven com o Departamento de Defesa dos EUA e outras agências de segurança nacional do país com um valor potencial de mais de US$1 bilhão, terá que substituir o Claude por outro modelo de IA e reconstruir partes de seu software, disse uma das fontes. A Reuters não conseguiu determinar quanto tempo esse processo levará.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, sugeriu que a mudança deve ser imediata, afirmando na semana passada: "A partir de agora, nenhum contratado, fornecedor ou parceiro que faça negócios com as Forças Armadas dos EUA poderá realizar qualquer atividade comercial" com a Anthropic.
Representantes do Pentágono, da Anthropic e da Palantir se recusaram a comentar o assunto.
O papel da Anthropic dentro do Maven ressalta o desafio confuso e potencialmente caro que o Pentágono, outras agências governamentais e empresas norte-americanas enfrentam ao lidar com o rompimento dos laços com um fornecedor de IA fundamental que se tornou profundamente incorporado aos sistemas dos setores público e privado.
O Maven é o principal programa de inteligência artificial do Pentágono, projetado para coletar dados de várias fontes para identificar pontos de interesse militar e acelerar a análise de inteligência e as decisões de alvos. O sistema desempenhou um papel importante nas recentes operações militares dos EUA. A Reuters não conseguiu determinar imediatamente se a plataforma de software foi usada durante a operação de janeiro na Venezuela que capturou o ex-presidente Nicolás Maduro, ou durante os recentes ataques contra o Irã.
O software da Palantir tornou-se profundamente incorporado na iniciativa do Pentágono de integrar a inteligência artificial às operações militares, uma posição que elevou a empresa de uma contratada de inteligência de nicho a uma fornecedora essencial para os esforços de modernização militar dos EUA, o que ajudou a impulsionar o valor de mercado da empresa para cerca de US$350 bilhões.