O ser humano é o primata que menos dorme. A ciência tem certeza de que somos um 'experimento evolutivo radical'
A evolução tornou o nosso sono muito mais eficiente. Por isso, não precisamos de tantas horas na cama quanto os outros macacos.
Nós passamos cerca de um terço da nossa vida dormindo. Mesmo assim, a reclamação mais comum no mundo moderno é a falta de descanso e o cansaço constante. É muito normal culpar as telas do celular, o estresse do trabalho ou a luz artificial por nos roubar o sono. Porém, a antropologia evolutiva traz uma resposta bem diferente: o ser humano foi geneticamente desenhado para dormir menos do que qualquer um de nossos parentes na natureza.
Uma anomalia biológica
Essa afirmação não é apenas um palpite, mas sim o resultado das pesquisas do cientista David R. Samson, professor de Antropologia Evolutiva. Após conviver e estudar tribos de caçadores-coletores que vivem sem tecnologia — como os Hadza na Tanzânia e os BaYaka no Congo —, ele confirmou que os humanos são uma verdadeira esquisitice biológica quando o assunto é cama.
Se fôssemos seguir a regra da biologia baseada no tamanho do nosso corpo, no peso do cérebro e na nossa dieta, nós deveríamos dormir cerca de 9,5 horas por dia. Mas a realidade é que o ser humano dorme, em média, 2,5 horas a menos do que a biologia prevê. Somos os grandes madrugadores do reino dos primatas.
Veja o tempo médio de sono de outras espécies para comparar:
- Chimpancé: entre 9,5 e 11,5 horas por dia.
- Gorila: de 10 a 12 horas.
- Macaco-de-cauda-de-porco: 14 horas.
- Macaco-da-noite: impressionantes 17 horas.
Menos tempo, mais intensidade
Como é possível que o dono do cérebro mais complexo e que mais gasta energia no planeta consiga funcionar dormindo ...
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