O fato da China possuir o maior ecossistema de videogames do mundo não é por acaso; é o resultado de uma repressão que durou 15 anos
Eles eram o "ópio espiritual" do povo chinês até 2015, e então se tornaram seu maior trunfo no setor de jogos
No século XIX, ocorreram as Guerras do Ópio entre a China e a Grã-Bretanha. A resolução desse conflito, com a nação asiática como perdedora, representou um duro golpe para o país, que hoje é historicamente referido como "o século da humilhação". As potências ocidentais, então, forçaram a introdução do narcótico no mercado chinês, gerando uma enorme crise de dependência e desmantelando, pouco a pouco, a soberania do país.
Eventualmente, a China se recuperou política e socialmente — não sem revoluções lideradas por figuras como Mao Tsé-Tung nesse processo — mas, nas décadas de 1990 e até 2015, vivenciaria uma situação semelhante com um novo "ópio espiritual": os videogames.
E o uso dessa metáfora não servia apenas para justificar a proibição de softwares ou hardwares estrangeiros no país; também para evocar um trauma histórico na população, que, ironicamente, é o que a torna uma superpotência nesse mercado atualmente.
O "Ópio Espiritual" do gaming na China
A década de 1990 foi um período tumultuado para a China, tanto cultural quanto politicamente. Após a queda da União Soviética, é possível (embora não seja totalmente atribuível a ela) que a China tenha associado o colapso de seu vizinho com aquilo que a havia aproximado do capitalismo ocidental de uma forma subversiva: os videogames.
O aparato governamental do regime rapidamente começou a visar os consoles como alvo de perseguição pelas autoridades, por meio de uma série de campanhas governamentais contra fliperamas e consoles dos...
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