CEO da Microsoft se diz surpreso com investidores do Yahoo
Por 18 meses, os investidores dissecaram cuidadosamente todos os possíveis ângulos de um potencial acordo de busca e publicidade entre a Microsoft e o Yahoo. Mas quando o negócio enfim foi anunciado, eles não foram capazes de compreender suas ramificações de longo prazo. Ou pelo menos é essa a alegação de Steve Ballmer, o presidente-executivo da Microsoft.
"Ninguém está entendendo", disse Ballmer na quinta-feira diante de um grupo de analistas financeiros e de tecnologia reunido na sede da Microsoft.
Na quarta-feira, Microsoft e Yahoo revelaram uma parceria de longo prazo que as unirá contra o Google, o líder claro em termos de buscas e publicidade vinculada a buscas na Internet. O Yahoo vai adotar o Bing, o serviço de buscas da Microsoft, como ferramenta oficial de buscas em todos os seus populares sites.
A Microsoft pagará pela dispendiosa infraestrutura de computação necessária a operar a tecnologia de busca utilizada pelas duas companhias, e deterá o controle sobre essa tecnologia, em troca permitindo que o Yahoo fique com um quinhão dominante da receita produzida pela publicidade vinculada a buscas em seus sites.
As ações do Yahoo despencaram depois do anúncio do acordo. Na quarta-feira, a queda atingiu os 12%, e na quinta foi de mais 3,57%, o que as deixou cotadas a US$ 14,60 no fechamento do pregão. Enquanto isso, os preços das ações da Microsoft se mantiveram firmes, o que reflete a percepção, entre os investidores, de que a Microsoft saiu por cima do acordo.
"Eu mesmo fiquei surpreso com a reação do mercado", disse Ballmer na reunião com analistas. "Na verdade, ele beneficia os dois lados".Ballmer se esforçou por explicar de que maneira o acordo beneficiará o Yahoo. Por exemplo, o Yahoo ficará com 88% da receita gerada por anúncios vinculados a buscas veiculados em seus sites. "Não ficaremos com muito dinheiro", ele disse.
Os comentários de Ballmer, que aconteceram na quinta-feira no horário comercial, não influenciaram muito a tendência de queda nas ações do Yahoo.
Carol Bartz, a presidente-executiva da empresa, havia levado os investidores a acreditar que exigiria "carradas" de dinheiro para abrir mão do serviço de buscas do Yahoo, cujo alcance é muito mais amplo que o da Microsoft.
Bartz declarou na quarta-feira que a receita futura firme que o Yahoo receberia como resultado do acordo era mais importante que um pagamento à vista vultoso.
Alguns acionistas do Yahoo também expressaram o temor de que a empresa venha a perder o conhecimento especializado quanto a buscas, algo que poderia vir a lamentar mais tarde, e que seria incapaz de recuperar.
"Eles simplesmente abriram mão de um dos pilares mais fortes de seu serviço, o que pode ter implicações significativas", disse Darren Chervits, co-administrador do Jacob Internet Fund, que detém ações do Yahoo.
Ballmer alega que a parceria vai permitir que as duas empresas criem um melhor produto de buscas e que realizem avanços significativos diante do Google, que no momento responde por cerca de dois terços das buscas de Internet realizadas nos Estados Unidos.
Alguns investidores afirmaram que os argumentos apresentados por Ballmer lhes pareceram convincentes.
"Acredito que o mercado estivesse à espera de algo de grandioso e que resultasse em mudanças práticas no curto prazo", disse Bruce Stern, administrador sênior de carteiras na Voyageur Asset Management. "Mas as duas empresas terão chances muito melhores unidas do que teriam separadamente".
A Microsoft não se esforçou demasiadamente para fornecer informações detalhadas aos analistas sobre o acordo com o Yahoo.
Um documento, que parecia ter sido divulgado por acidente, mostrava que a Microsoft tinha expectativa de prejuízo da ordem de US$ 300 milhões com o acordo nos próximos dois anos, porque teria de arcar com os custos de porção maior do trabalho de infraestrutura. A empresa posteriormente removeu o slide que continha essa informação de seu site.
Nos momentos em que não estava discorrendo sobre pesquisas, Ballmer defendeu a posição da Microsoft em outros mercados. Zombou da Apple como uma participante minúscula no mercado de computação, e também satirizou alguns dos esforços do Google para desenvolver software a ser instalado em computadores pessoais.
Embora grupos mais novos e vistos, como o Google e o Facebook, possam parecer mais atraentes que a antiquada Microsoft, Ballmer diz que a empresa não encontra problemas para atrair jovens talentos.
Tradução: Paulo Migliacci ME