Não bastassem os drones e a lama, os soldados ucranianos na frente de batalha agora têm mais um problema: a neblina
O inverno e a mudança no clima se tornaram um multiplicador de incertezas
No começo de novembro, uma cena viralizou nas redes. A chegada das tropas russas a Pokrovs parecia saída de uma distopia, mais um exemplo de que a guerra na Ucrânia parecia ter se transformado definitivamente em um espelho do que serão os conflitos bélicos do futuro.
Agora sabemos que aquela cena também era o prelúdio de uma vantagem.
Nas linhas do leste da Ucrânia, a chegada de um inverno cheio de nevoeiros densos transformou o campo de batalha em um cenário imprevisível, onde a visibilidade — que antes determinava o ritmo dos drones — se converteu em um recurso estratégico por si só.
O véu de umidade que cobre Donetsk, Zaporizhzhia e os acessos a Pokrovsk dificulta o trabalho dos operadores ucranianos, que dependem da vigilância aérea para rastrear os movimentos russos, mas também oferece uma oportunidade para se aproximar silenciosamente, infiltrar-se e atacar a curta distância.
Em zonas como Pokrovsk, onde as linhas se sobrepõem e a frente é porosa, o nevoeiro provocou uma espécie de caos calculado que torna a guerra imprevisível — um tabuleiro onde ambos os exércitos se movem quase às cegas, entre rajadas de tiros que surgem sem aviso prévio, enquanto os comandantes admitem que as condições meteorológicas estão alterando completamente a leitura do terreno e o controle das rotas de aproximação.
A neblina permitiu às forças russas impulsionar avanços pontuais e manobras arriscadas. Aproveitando a falta de vigilância aérea, unidades mecanizadas conseguiram cruzar obstáculos...
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