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Meta despenca quase 15% na bolsa e pressiona papeis de tecnologia

25 abr 2024 - 10h25
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As ações da Meta afundavam quase 15% nesta quinta-feira, provocando uma venda de  papeis de outras empresas de tecnologia depois que a gigante da mídia social sinalizou que sua aposta em inteligência artificial vai levar anos para ter retorno.

A queda das ações da Meta antes da abertura dos mercados reduziu o valor da mercado da empresa em mais de 180 bilhões de dólares e desencadeava recuos de 2% a 5% nas ações de empresas focadas em IA como Microsoft, Alphabet e Snap.

O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, que surpreendeu Wall Street no ano passado com sua iniciativa de corte de custos, disse a analistas que os custos crescerão "significativamente" nos próximos anos antes que a empresa obtenha "muita receita" com alguns de seus produtos de IA.

Isso alimentou temores de investidores de que Zuckerberg está mergulhando a Meta em outro empreendimento dispendioso em um momento em que as apostas em realidade aumentada e virtual acumulam bilhões de dólares em prejuízos a cada trimestre.

"Os investidores foram pegos de surpresa pelo aumento dos investimentos, exacerbado por previsão de receita ligeiramente mais suave no segundo trimestre. Dessa forma, as ações estão entrando na 'caixa de penalidades'", disseram os analistas do Baird Equity Research.

A Meta previu receita para abril-junho abaixo das estimativas do mercado e aumentou o limite inferior da estimativa de despesas totais para 2024 em 2 bilhões de dólares. A empresa também elevou o limite superior da estimativa de investimentos à medida que injeta recursos em data centers para tentar alcançar OpenAI e Microsoft.

As expectativas mais fracas se seguem a uma série de resultados surpreendentes que ajudaram a Meta a quase triplicar o valor de suas ações em 2023 e a produzir o maior ganho de valor de mercado em um dia na história de Wall Street, de 196 bilhões de dólares, em fevereiro, após a divulgação do primeiro dividendo da companhia.

Porém, vários analistas se mostraram positivos em relação aos investimentos, apontando para o engajamento impulsionado por IA no Instagram e recepção calorosa do assistente virtual Meta AI e as primeiras versões do recente modelo de linguagem ampla, o Llama 3.

"Achamos que desta vez é diferente", disseram os analistas da Evercore ISI. "Esse ciclo de investimento vem de uma posição de força, já que a administração continua a ver um ambiente saudável de demanda de anúncios publicitários no segundo trimestre e a melhorar o envolvimento do usuário."

No geral, 17 analistas reduziram preços-alvo para as ações da Meta, enquanto oito aumentaram, de acordo com dados da Lseg. O preço-alvo médio agora está em 525 dólares, cerca de 6% acima do fechamento anterior.

"Estar na ofensiva com gastos em investimentos é, em geral, ótimo, mas na Internet é muito difícil garantir quais desses investimentos terão retorno e quando", disse Mark Shmulik, analista da Bernstein.

"Tudo isso culmina com os investidores se perguntando quanto tempo esse ciclo de investimento durará, se a oportunidade e o retorno são reais, tudo isso em um cenário de desaceleração do crescimento."

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