Há 30 anos, ríamos da obsessão da China e do Japão com a proteção solar: agora, estamos seguindo seus passos
O bronzeado não é igual em todos os lugares, mas uma ideia está ganhando força: bronzear-se envolve riscos
Se você viajar para Qingdao ou qualquer outra praia na China, poderá encontrar banhistas que, além de biquínis, sandálias e óculos de sol, usam "facekinis" coloridos. Isso já acontecia há alguns anos (e até mesmo em 2025), quando essa peça peculiar que cobre todo o rosto para protegê-lo dos raios ultravioleta ganhou popularidade durante uma onda de calor. Em outras partes do mundo, a imagem de mulheres chinesas com a cabeça submersa em toucas de natação tamanho GG, que deixavam apenas os olhos e a boca à mostra, foi interpretada como uma excentricidade, mais uma prova da aversão dos asiáticos ao bronzeamento artificial.
Nas praias brasileiras, talvez não se vejam muitos "facekinis", mas uma ideia está começando a ganhar força: diferenças culturais à parte, os chineses, japoneses e coreanos podem não estar errados ao fazerem de tudo para se protegerem do sol.
"É muito malvisto"
O "facekini" é a sua demonstração mais óbvia (e explícita), mas está ligado a um fenômeno muito maior: nem todos valorizam o bronzeado da mesma forma. Vincent Coëffé, da Universidade de Angers, explicou isso há alguns anos em um artigo publicado no The Conversation: a perspectiva de exibir um bronzeado pode parecer maravilhosa na Califórnia, mas as coisas são bem diferentes quando se conversa com alguém da Ásia.
"A pele clara ainda é vista com bons olhos nas culturas asiáticas (China, Índia, Japão, Coreia…), a ponto de expor o corpo ao sol ser percebido como um ato subversivo", afirma Coëffé, geógrafo e ...
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