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Protótipo de iPhone foi roubado, segundo a Apple

27 abr 2010 - 17h13
(atualizado às 20h45)
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A Apple informou à polícia que foi roubado e não perdido o protótipo de um iPhone vendido ao site Gizmodo americano, que publicou seus detalhes na semana passada.

O protótipo do iPhone: Apple diz que foi roubado; o Gizmodo, perdido
O protótipo do iPhone: Apple diz que foi roubado; o Gizmodo, perdido
Foto: Reprodução / Gizmodo

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Em entrevista ao The Wall Street Journal, Stephen Wagstaffe, procurador do condado de San Mateo, na Califórnia, disse que a empresa contatou as autoridades para denunciar um roubo, "o qual levou a um mandado de busca e uma investigação".

O Gizmodo já admitiu ter pago US$ 5 mil pelo aparelho, o qual garante ter sido perdido, não roubado, por Gray Powell, um engenheiro de software da Apple, em um bar. No entanto, pela lei californiana qualquer pessoa que encontre um objeto e, sabedora de a quem pertence, não o devolva, pode ser acusada de roubo. Em vez de devolvê-lo à Apple, ao ter o aparelho em mãos o Gizmodo, em um dos maiores furos já publicados na internet, desmontou-o e mostrou seus segredos. Ao receber uma carta da Apple pedindo-o de volta, devolveu-o.

Na sexta-feira passada, uma força-tarefa que envolve 17 órgãos locais, estaduais e federais, esteve na casa do editor do Gizmodo, Jason Chen, e, garantida por um mandado, confiscou quatro computadores e dois servidores, discos rígos e outros equipamentos. Chen, que não estava no local no momento da chegada dos policiais, disse que sua casa teve a porta arrombada. O Gizmodo alega que a busca foi ilegal e que a casa do editor está protegida por leis federal e estadual a respeito do sigilo das fontes de informação da imprensa.

Diante das alegações, as autoridades, segundo o site TechCrunch, decidiram não verificar o conteúdo dos equipamentos confiscados. No entanto, o procurador Stephen Wagstaffe garantiu ao site que a lei de proteção aos jornalistas não se aplica no caso.

Ética

O caso aos poucos eleva, na imprensa americana, a discussão sobre os limites da ética na apuração de notícias. O Gizmodo, ao contrário do que ocorre normalmente, não escondeu que pagou pelo aparelho, citando a recusa da Apple em admitir que havia sido perdido como um fator para que não o tivesse devolvido prontamente. Ao mesmo tempo, ao identificar o funcionário que o havia perdido, sabia que pertencia à empresa e mesmo assim desmontou-o.

A Apple, nota o site da revista Forbes também não deixa claro seu papel na história. É uma das empresas que colabora com o treinamento da força-tarefa agora utilizada contra o editor do Gizmodo. E - é inegável - ainda sai ganhando com a história. "A Apple não apenas teve seu telefone de volta, mas recebeu mais publicidade do que poderia imaginar", disse a revista.

Ouvido pelo The Wall Street Journal, Eugene Volokh, professor de Direito d UCLA, uma das mais importantes universidades americanas, disse que a proteção legal de jornalistas não se aplica se a polícia está investigando um caso de roubo.

A polêmica ilustra, para Kelly McBride, especialista em ética jornalistica, do Poynter Institute - uma organização de acompanhamento jornalístico -, os problemas do "jornalismo de talão de cheques". "Você pode se ver do lado errado da lei se isso (pagar por uma informação) o leva a cometer um crime ou o torna receptador de itens possivelmente roubados", disse ao The Wall Street Journal.

A Apple ainda não se pronunciou sobre o caso.

Fonte: Redação Terra
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