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Como "Ubers estatais" frustram tanto passageiros quanto motoristas

Segundo fontes ouvidas por Byte, prefeitura terá que se esforçar para atrair passageiros e compensar motoristas com o MobizapSP

7 jun 2023 - 05h00
(atualizado em 7/6/2023 às 09h40)
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Aplicativo da prefeitura de SP promete repassar 89% do valor das corridas para os motoristas
Aplicativo da prefeitura de SP promete repassar 89% do valor das corridas para os motoristas
Foto: fdr

Para tentar ser uma alternativa popular à liderança da Uber no transporte particular de pasasageiros, até mesmo algumas prefeituras entraram na concorrência com apps estatais. No entanto, os últimos meses mostraram que essa realidade ainda está um pouco longe.

Em São Paulo, por exemplo, o MobizapSP, lançado no dia 23 de março deste ano, prometia ter preços mais justos para clientes e motoristas, já que repassa 89% do valor das corridas para os condutores cadastrados.

Em outros aplicativos, há uma taxa dinâmica sobre as corridas de acordo com a demanda, que pode reter até 40% do preço pago pelos passageiros.

Outra novidade foi lançada no ano passado pela prefeitura de Araraquara (SP), com a chegada do aplicativo de transporte próprio, o Bibi Mob, que repassa até 95% do valor da corrida para o motorista. 

O projeto sugeriu a criação de cooperativas em cada cidade onde o mesmo seja iniciado, tendo assim mais organização, uma política pública e padrão no serviço prestado. 

No entanto, apesar de serem boas ideias, tais plataformas não conseguiram ainda ter a mesma qualidade de serviço de Uber e 99, e nem ao mesmo chegou perto de seu objetivo de serem mais baratos.

Muito por conta das multas, é comum que motoristas procurem outras formas de locomoção, como transportes públicos, táxis e aplicativos de transporte/caronas.
Muito por conta das multas, é comum que motoristas procurem outras formas de locomoção, como transportes públicos, táxis e aplicativos de transporte/caronas.
Foto: Divulgação / UBER Brasil / Flipar

MobizapSP: frustração para motoristas e clientes

Além do prometido repasse de 89% do valor das corridas para os motoristas, o MobizapSP, app da Prefeitura de São Paulo, não praticaria cobrança de tarifa dinâmica em horários de pico aos clientes. O cálculo do valor pago é sempre mensurado com base na distância e no tempo de percurso.

O Brasil tem 1.660.023 pessoas trabalhando como motoristas ou entregadores de aplicativos. Os dados foram revelados em pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec).

No início de abril, o MobizapSP se aproximava de 200 mil clientes cadastrados, segundo a prefeitura. Um número pequeno em se tratando da atuação na maior capital do país. 

O MobizapSP ainda gera insegurança. João Carlos, motorista de aplicativo desde 2018, contou ao Byte que as corridas na plataforma da prefeitura de São Paulo são muito baratas para os consumidores e, às vezes, os app privados compensam mais. 

“Tem vez que uma corrida de R$ 9 no aplicativo da prefeitura está no modo dinâmico no Uber, custando R$ 14 ou R$ 16. Para a gente (motorista) compensa mais”, afirmou.

O MobizapSP é o aplicativo de transportes oficial da Prefeitura de São Paulo (Imagem: Alveni Lisboa/Canaltech)
O MobizapSP é o aplicativo de transportes oficial da Prefeitura de São Paulo (Imagem: Alveni Lisboa/Canaltech)
Foto: Canaltech

Ele defende que para de destacar, o MobizapSP deveria cobrar “um valor mínimo” por viagem. “Assim, seria mais vantajoso para fazer a corrida”, avaliou.

“Motoristas já me relataram que fizeram cadastro com outros nomes e conseguiram fazer o cadastro. E outra, também não tem voucher. Só recebem o pagamento em dinheiro, pix etc. Isso deixa o trabalhador sem segurança”, contou Duda, da Amasp. 

Edson Bernardo, motorista de aplicativo desde 2020, relatou dificuldade na hora de fazer o cadastro no MobizapSP. “O aplicativo fica travando muito, principalmente na hora de se cadastrar. E também, o GPS falha às vezes. Já fico desanimado”, contou.

“O que me espanta é que com a tecnologia que a gente tem hoje, vários aplicativos, várias empresas funcionando perfeitamente, eles fazem uma plataforma cheia de problemas”, avaliou Duda.

Usuários também relataram lentidão no aplicativo e demora para que a corrida seja aceita.

Já o Bibi Mob de Araraquara (SP) acumula, até o momento, sete críticas no site Reclame Aqui. "Fiquei sem sair de casa esperando pela entrega do cartão e hoje acessei e estava 'entrega deu não visitado'", disse uma cliente. A empresa respondeu pedindo mais dados sobre o problema oferecendo um endereço de e-mail criado no Gmail. 

Em outro caso, um homem tentou comprar uma franquia. Teve problemas no pagamento com cartões. Foi sugerido a ele pagar à vista, o que fez, mas criticou a qualidade do treinamento ao franqueado e como mudará de cidade, pediu ressarcimento. A Bibi Mob respondeu: "Infelizmente a esta altura já não seria possível reaver tal valor, pelo fato dos serviços de criação operacional já terem sido prestados." 

Clientes também citaram problemas nas corridas. "O aplicativo chama o motorista, mesmo quando você cancela a corrida. Além disso, aparece um preço pela corrida antes de localizar um motorista, e depois um outro bem maior quando se vai confirmar a corrida". A resposta: "O app tem métricas de cobrança com base nos quilômetros percorridos. Iremos entrar em contato para entender melhor o ocorrido".  

Outro lado

O Byte entrou e contato com a prefeitura de São Paulo para falar sobre os problemas relatados no app MobizapSP e qual a expectativa para os próximos meses, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.  

Também tentamos em contato com a Bibi Mob por e-mail (o informado no Reclame Aqui) e via formulário no site oficial para saber mais sobre o desempenho do app após o lançamento. Não conseguimos retorno.

A importância da concorrência estatal

A Amobitec disse ao Byte por e-mail que considera saudável o aumento do nível de concorrência no mercado de transporte individual de passageiros.

"As empresas associadas entendem que uma maior competição em qualquer atividade econômica proporciona benefícios ao consumidor, além de ampliar as possibilidades de geração de renda para milhares de motoristas", escreveram.

Mas, apesar de a promessa de concorrência ser grande, Otto Nogami, professor de economia do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), não acredita que serviços estatais possam ter sucesso, principalmente à medida que a ingerência política passe a interferir na atividade. 

“As iniciativas estatais de transporte deveriam focar no transporte público urbano mais eficiente, atendendo assim a demanda de maior parte da população”, sugeriu.

Eduardo de Souza, conhecido como Duda, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp), diz que a expectativa dos motoristas é um aplicativo que irá “arrancá-los das garras das grandes empresas”, afirmou.

“Sempre desperta aquele interesse, aquela esperança. Eles veem como uma oportunidade a mais. Um ou outro que não gosta de tal político [que está lançando o projeto] fica resistente”, contou a Byte

De acordo com Nogami, o sucesso dos aplicativos estatais de transporte depende de fatores como o contexto do município em que será implantado, a qualidade do serviço oferecido, a concorrência, a aceitação dos usuários e o apoio governamental contínuo. 

“A experiência mostra que os serviços públicos não são, muitas vezes, eficientes comparativamente ao que o setor privado pode oferecer”, disse.

O professor do Insper afirma que a falta de incentivos para os motoristas de aplicativos estatais de transporte pode ser um fator que contribui para a insatisfação e a percepção de que as corridas não compensam financeiramente. 

“Programas de fidelidade, descontos e outros incentivos podem ser úteis para atrair e reter motoristas, além de aumentar a demanda por esses serviços”, destaca Nogami.

Ainda assim, segundo ele, existem fatores que precisam ser destacados no que dizem respeito a viabilidade e a implementação desses incentivos, que “dependem das políticas e recursos disponíveis em cada município, que podem variar em termos de eficácia e impacto financeiro”.

O que falta para emplacar

Esta não é a primeira vez que a Prefeitura de São Paulo lança um aplicativo de transporte individual próprio.

Em 2018, ela criou o SPTaxi, que prometia corridas com até 40% de desconto e taxa zero para os motoristas. A iniciativa, porém, teve pouca adesão.

O SPTaxi enfrentou desafios, à época, como a própria concorrência com os aplicativos de transporte privado, que têm popularidade e conquistaram uma base sólida de usuários, como o Uber. 

Para Duda, falta um bom projeto das empresas. "Eles entregam uma plataforma totalmente problemática, cheio de problemas, de bugs, sem informações. O passageiro não tem atração para usar o aplicativo. O motorista fica desmotivado", conta. 

"Acho que a prefeitura pode fazer uma melhor gestão com esses projetos. Com isso, tem tudo para emplacar", continua.

Para o motorista Edson Bernardo, o que a prefeitura pode fazer para emplacar é criar programa de fidelidade com postos de gasolina ou algum "tipo de desconto na manutenção dos carros, algo que seja vantajoso também para nós. Senão, não compensa trocar seis por meia dúzia".

Fonte: Redação Byte
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