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"Relação humana com a natureza está à beira do precipício", diz líder do WWF

11 set 2016 - 14h52
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A relação do ser humano com a natureza está "à beira do precipício", segundo a presidente internacional do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Yolanda Kakabadse (Quito, 1948), em referência ao uso "cada vez mais acelerado" dos recursos.

Kakabadse, que visitou a sede central da WWF em Madri, disse à Agência que "em algum momento o planeta vai dizer basta" porque "estamos produzindo mais alimento do que necessitamos com uma péssima distribuição".

Enquanto no mundo há 800 milhões de pessoas que passam fome, em alguns países são desperdiçados até 40% dos alimentos embalados, por isso que apesar de haver recursos para todos, estão mal distribuídos, recalcou.

A presidente internacional desta ONG ambiental, que foi ministra do Meio Ambiente no Equador (1998-2000), afirmou além disso que as atuais práticas de produção são "insustentáveis e imorais", já que desperdiçar alimentos quando há gente que tem fome "é absurdo".

"A data de validade de um alimento é muito irracional. Nos esquecemos de tocar, de cheirar, de provar as coisas; vemos a data de validade e jogamos no lixo se passou, mas só deveria ser aplicado a carnes, peixes ou coisas tóxicas".

Na sua opinião, a sociedade ainda não é consciente de que trata-se de um conflito global e "muitas vezes vemos o problema em outra parte sem nos preocuparmos em buscar ao nosso redor", apesar de que todos sofremos as mesmas deficiências nos sistemas de produção.

"Todos somos igualmente responsáveis por buscar soluções e esta divisão de bons e maus nos trouxe muitos problemas, porque há países que decidiram não fazer nada até que os Estados Unidos ou China -em referência à mudança climática- tomarem uma providência, e essa é uma reação de tão pouca responsabilidade e solidariedade com o planeta que é inaceitável".

Kakabadse considera que a condição de ratificar o Acordo do Clima de Paris não é essencial para atuar, dado que há vários setores "que estão fazendo um esforço duríssimo para mudar as formas de produção" sem ter assinado ainda, mas acredita que a assinatura é um momento que dá "visibilidade".

"O que vemos com preocupação é que o Acordo de Paris não é suficiente, temos que ser muito mais estritos e ambiciosos em reduzir emissões e conter a mudança climática para evitar grandes dramas e grandes crises".

O mais "lamentável", segundo sua opinião, é que o ser humano reage quando "já ocorreu algo que atinge seu povo, sua cidade, seu investimento".

As consequências da mudança climática quem vão sofrer são os "mais vulneráveis": as pequenas ilhas, as pessoas mais pobres, os que não têm "um teto firme", nem alimento e nem "os bolsos cheios".

Kakabadse se disse "absolutamente" convencida de que serão atingidos os objetivos de Paris, mas acredita que são "insuficientes" e por isso considera que a próxima cúpula do clima, que será realizada em novembro no Marrocos (COP22), servirá para "afirmar compromissos" e concretizar as mudanças "para crescer em ambição".

Yolanda Kakabadse reivindicou, além disso, o papel dos cidadãos, que podem fazer "muitas coisas" para ajudar o planeta, desde reduzir o número de unidades de transporte na rua, até diminuir o consumo de água e energia e melhorar os hábitos de consumo.

A dirigente ecologista afirmou que os grandes investimentos apostam pelas energias renováveis e que os combustíveis fósseis deixaram de ser interessantes financeiramente. Pensar que os combustíveis fósseis são a solução ao mundo de hoje "é uma cegueira total".

"Acho que devemos ser mais rígidos em como elegemos nossos representantes para assegurar que haja mais dirigentes que sejam conscientes de sua responsabilidade com o planeta".

EFE   
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