Os robôs vão substituir os médicos? Veja o que pensa o diretor da cirurgia robótica da Rede D'Or
Para Dyego Benevenuto, a capacidade de decisão e o pensamento crítico humanos ainda serão necessários por pelo menos mais uma década
Um dos maiores empresários do mundo da área de tecnologia, Elon Musk já profetizou: em no máximo três anos, robôs humanoides devem superar os melhores cirurgiões humanos em precisão e capacidade técnica. Mas será que vai ser assim mesmo?
Chefe da cirurgia robótica da Rede D'Or, Dyego Benevenuto acha que não. Ou, pelo menos, não em tão pouco tempo. O médico desenvolveu sua resposta durante a palestra Os robôs vão substituir os médicos?, nesta quinta-feira, 6, no Rio Innovation Week, no Píer Mauá.
Os robôs já são muito usados em cirurgias há pelo menos dez anos, mas sempre assistidos por humanos - quer estejam eles na sala de cirurgia, quer remotamente. Esses robôs alcançam áreas onde as mãos humanas não chegam, têm movimentos de muita precisão e fazem procedimentos minimamente invasivos. Mas sempre sob o comando de um cirurgião humano.
Para um robô substituir um profissional humano, ele precisaria desenvolver algumas habilidades cruciais que, segundo Benevenuto, não são nada simples. Ter consciência situacional, ou seja, entender o contexto é uma delas. Outra é conseguir tomar uma decisão sobre a melhor conduta no momento certo. Ter destreza técnica para executar gestos cirúrgicos, conseguir se comunicar e liderar um time e, por fim, ter uma grande capacidade de adaptação a mudanças.
Por tudo isso, segundo Benevenuto, é muito difícil que um robô esteja apto a substituir completamente um cirurgião dentro de três anos. "Não sei a resposta, mas não acredito que teremos um robô com autonomia total na próxima década. Por enquanto, precisamos da capacidade de decisão e do pensamento crítico de um médico cirurgião."
Isso não quer dizer que a tecnologia não possa ser explorada. Como exemplo, ele citou um robô capaz de localizar uma veia em um ser humano, determinar o melhor ângulo para a entrada de uma agulha e fazer uma punção. Outro exemplo é um robô usado nos procedimentos de implante de cabelo, em que a máquina é capaz de identificar os melhores folículos a serem reimplantados.
"A Inteligência Artificial é um copiloto, não um piloto", afirmou. "O futuro da Medicina depende de médicos capazes de pensar criticamente junto com a IA. O cirurgião do futuro precisa ter não apenas habilidade manual, mas também integrar conselhos e capacidades técnicas."
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