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Muitas pessoas não sabem, mas o Ozempic só existe por causa de um monstro

Conhecido por sua mordida venenosa e passos lentos, um monstro guarda no veneno a pista biológica que pavimentou o caminho para o Ozempic, Wegovy, Mounjaro e toda a revolução dos remédios GLP-1

25 nov 2025 - 15h57
(atualizado em 25/11/2025 às 14h18)
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Foto: Xataka

O monstro-de-gila não parece exatamente o tipo de criatura que mudaria os rumos da medicina moderna. Com seu corpo robusto, pele escamosa em tons vibrantes e um andar que beira o preguiçoso, ele poderia facilmente passar despercebido pelos desertos da América do Norte — não fosse por seu veneno poderoso e por um detalhe bioquímico que o colocaria, indiretamente, entre os protagonistas da maior revolução farmacêutica das últimas décadas. Esse mesmo lagarto que pode causar complicações sérias em humanos — e, em 2024, chegou a ser responsável pela morte de um homem no Colorado — abriga, em sua toxina, a chave que abriu espaço para medicamentos que mudariam a vida de milhões de pessoas.

O processo começou quando pesquisadores identificaram no veneno do monstro-de-gila um hormônio peculiar, capaz de desacelerar drasticamente o metabolismo do animal e permitir que ele sobreviva por meses com pouquíssimas refeições. Era a exendina-4, uma molécula surpreendentemente semelhante ao GLP-1 humano — o hormônio que regula a liberação de insulina após as refeições. A diferença crucial? Enquanto o GLP-1 natural se dissipa rapidamente do organismo, a exendina-4 permanece ativa por muito mais tempo, permitindo uma ação contínua na regulação da glicose. Foi a fagulha necessária para que cientistas iniciassem a criação dos agonistas de GLP-1, categoria que inclui nomes conhecidos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

A primeira grande aplicação veio com o Byetta, medicamento direcionado ao tratamento ...

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