Fazer mais horas de esteira não garante uma maior perda de gordura — o culpado é o nosso metabolismo
Maior quantidade de exercício não significa necessariamente mais gordura queimada
Existe uma crença muito difundida no mundo do esporte que trata o corpo humano como se fosse uma simples calculadora térmica, levando-nos a pensar que, se meia hora de exercício aeróbico queima 300 calorias, uma hora inteira queimará 600. No fim das contas, tudo se resume à ideia de que "quanto mais, melhor" — mas a biologia e o metabolismo são muito mais complexos do que uma equação matemática linear.
Para questionar essa ideia, um artigo publicado neste ano comparou o modelo aditivo tradicional com o modelo "restrito" de gasto energético. Ao submeter diferentes indivíduos a um exercício aeróbico, como a corrida, o aumento do gasto energético diário foi de apenas 30% do que seria esperado se o modelo fosse totalmente linear.
Em outras palavras, em vez de simplesmente somar todas as calorias queimadas na esteira ao gasto energético total do dia, o metabolismo humano faz uma compensação parcial.
Essa diferença ocorre porque o corpo, diante de um déficit calórico agudo provocado por exercícios prolongados, ativa uma série de mecanismos biológicos de economia de energia para proteger suas reservas, ainda guiado por sua necessidade de sobrevivência. Ou seja, em vez de queimar energia sem limites, o organismo "corta" o gasto em outras funções.
Por exemplo, sabemos que o metabolismo pode desacelerar levemente durante o exercício na esteira, reduzindo a energia "destinada" a processos fisiológicos não urgentes em resposta ao estresse provocado por um treinamento muito intenso.
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