Estudar loucamente na noite anterior a uma prova dá resultado? A ciência finalmente tem uma resposta
Se não deixarmos o cérebro descansar entre uma repetição e outra, não permitimos que os processos neuroquímicos de consolidação façam seu trabalho
Por décadas, os modelos clássicos de aprendizagem, como os baseados no aprendizado por reforço tradicional, partiam do pressuposto de que, quanto mais vezes alguém é exposto a um estímulo seguido de uma recompensa (ou acerto), mais rápido aprenderia. No entanto, um estudo revolucionário da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), liderado por um pesquisador e publicado recentemente na Nature Neuroscience, demonstrou que estávamos olhando para o problema ao contrário.
E víamos ao contrário porque o mais importante no aprendizado não é quantas vezes nos expomos a um novo conhecimento, mas sim o tempo que passa entre dois momentos em que estudamos um determinado conceito. É exatamente isso que ferramentas como as famosas "flashcards", cada vez mais presentes no ambiente educacional, aproveitam.
A equipe de pesquisa realizou experimentos com ratos, nos quais mediu a dopamina liberada pelo cérebro dos animais. Os resultados indicam que a taxa de aprendizagem aumenta proporcionalmente ao intervalo de tempo entre recompensas, e não ao número de tentativas.
Ou seja, se um rato tem um intervalo longo entre dois estímulos, ele precisa de muito menos repetições para que seu cérebro libere a dopamina necessária para consolidar o que aprendeu. É por isso que vemos como o cérebro otimiza o aprendizado com base no tempo total investido de forma espaçada, tornando maratonas rápidas e repetitivas de estudo muito ineficazes.
E essas maratonas, por mais ineficientes que sejam, são ...
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