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Estamos perto de desvendar o mistério do 9º planeta do Sistema Solar?

Alguns astrônomos suspeitam que exista um misterioso nono planeta lá fora, muito maior do que Plutão, que perdeu seu status de planeta, e talvez estejamos prestes a finalmente encontrá-lo.

26 abr 2026 - 16h21
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Uma representação artística de um hipotético Planeta Nove
Uma representação artística de um hipotético Planeta Nove
Foto: Caltech/R Hurt (IPAC) / BBC News Brasil

Desde que Plutão perdeu o status de planeta em 2006, fomos informados de que vivemos em uma vizinhança de oito planetas. Mas alguns cientistas acreditam que um misterioso nono membro de fato exista e que talvez estejamos prestes a encontrá‑lo — graças a um telescópio novo e extremamente poderoso.

Instalado no topo de uma montanha no norte do Chile, o Observatório Vera Rubin iniciou sua missão de revolucionar a forma como vemos o Universo em junho de 2025. E uma das coisas que ele espera esclarecer é a composição do nosso próprio quintal.

A existência do Planeta Nove tem sido alvo de grande interesse e discordância entre cientistas desde 2016. Foi nesse ano que os astrônomos Konstantin Batygin e Michael Brown, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, publicaram um artigo defendendo que um planeta com cerca de dez vezes a massa da Terra se encontra nas regiões externas do Sistema Solar.

As órbitas incomuns de seis objetos transnetunianos levaram os astrônomos Batygin e Brown a propor a existência do Planeta Nove em 2006
As órbitas incomuns de seis objetos transnetunianos levaram os astrônomos Batygin e Brown a propor a existência do Planeta Nove em 2006
Foto: BBC News Brasil

Eles afirmaram que apenas a presença de um corpo celeste massivo poderia explicar o comportamento de um grupo de seis objetos transnetunianos (TNOs) distantes — corpos gelados que orbitam o Sol além de Netuno, em uma região conhecida como Cinturão de Kuiper.

Esses TNOs muito distantes apresentam órbitas anormalmente inclinadas e alongadas, o que sugere que podem estar sob a influência gravitacional de um vizinho maior.

"Se não existir o Planeta Nove, não temos mais explicações para muitos eventos estranhos", disse o professor Brown à BBC.

Se você não acompanha as voltas e reviravoltas complexas da astronomia, pode deixar escapar a ironia: Brown, o principal defensor de um novo planeta misterioso, é o mesmo astrônomo cujo trabalho foi fundamental para a destituição de um planeta nove anterior duas décadas atrás.

Desde a sua descoberta em 1930, Plutão figurou como o menor e mais distante planeta do nosso Sistema Solar.

Plutão pode ter perdido o status de planeta, mas continua sendo o objeto transnetuniano mais famoso que conhecemos até hoje.
Plutão pode ter perdido o status de planeta, mas continua sendo o objeto transnetuniano mais famoso que conhecemos até hoje.
Foto: NASA / BBC News Brasil

Mas, em 2005, Brown e dois colegas encontraram Éris, um objeto do tamanho de Plutão que orbita o Sol além de Netuno.

A descoberta de Éris influenciou fortemente a decisão da União Astronômica Internacional (IAU) de alterar a definição de planeta no ano seguinte e retirar Plutão da lista, reclassificando‑o como planeta anão ao lado de Éris.

Estranho, fraco e distante

Um grande problema com a ideia de um outro nono planeta é que, até hoje, ninguém fez uma observação confirmada — ao menos oficialmente. Batygin e Brown, por exemplo, usaram modelos computacionais para sustentar sua hipótese.

Isso ocorre em parte porque o Planeta Nove, se existir, está realmente muito distante de nós.

Os astrônomos do Caltech estimaram que ele esteja, em média, cerca de 20 vezes mais distante do Sol do que Netuno. Isso significa que ele poderia levar até 20 mil anos terrestres para completar uma única órbita ao redor do Sol.

Algo tão distante do Sol reflete pouquíssima luz, o que o torna incrivelmente fraco.

Para complicar ainda mais, eles previram que a órbita do Planeta Nove seria bastante estranha.

Enquanto os oito planetas viajam ao redor do Sol em órbitas quase circulares e em um plano quase plano, o movimento do nono membro seria altamente elíptico e inclinado.

Os oito planetas conhecidos do Sistema Solar orbitam o Sol em trajetórias quase circulares, todos aproximadamente no mesmo plano bidimensional
Os oito planetas conhecidos do Sistema Solar orbitam o Sol em trajetórias quase circulares, todos aproximadamente no mesmo plano bidimensional
Foto: BBC News Brasil

Mas as perspectivas de vê‑lo podem estar prestes a mudar.

Enquanto telescópios mais antigos e poderosos, como o Telescópio Espacial James Webb, são projetados para focar em alvos específicos no universo profundo, o Observatório Vera Rubin varre todo o céu do hemisfério sul a cada poucas noites.

Equipado com recursos como a maior câmera digital já construída, espera‑se que ele catalogue bilhões de objetos cósmicos ao longo de sua missão de dez anos, incluindo mais de 40 mil novos TNOs.

"O Rubin [consegue] encontrar um grande número de objetos no espaço que são mais fracos e mais distantes do que jamais conseguimos ver antes", diz Sarah Greenstreet, astrônoma do observatório.

"Se o Planeta Nove existir no tamanho e na localização hipotetizados… o observatório Rubin irá encontrá‑lo", afirma.

Netuno tudo de novo?

Brown também acredita que o observatório Rubin "ou encontrará o Planeta Nove diretamente ou encontrará evidências praticamente irrefutáveis de que ele existe ou não existe".

Se ele de fato existir, Brown acredita que poderá ser avistado dentro de um ou dois anos — marcando um marco monumental.

"O Planeta Nove seria o quinto maior do nosso Sistema Solar e o primeiro descoberto em 180 anos!", afirma.

O astrônomo se refere à descoberta formal de Netuno, em 1846.

O gigante gelado Netuno é atualmente o planeta mais externo do nosso Sistema Solar, orbitando o Sol a uma distância cerca de 30 vezes maior do que a da Terra
O gigante gelado Netuno é atualmente o planeta mais externo do nosso Sistema Solar, orbitando o Sol a uma distância cerca de 30 vezes maior do que a da Terra
Foto: Corbis via Getty Images / BBC News Brasil

A existência de Netuno havia sido prevista depois que astrônomos notaram irregularidades na órbita de seu vizinho, Urano. Os cálculos foram então usados pelo astrônomo alemão Johann Gottfried Galle para localizar Netuno no céu.

Mas mais tarde descobriu‑se que Netuno já havia sido observado em 1612 por Galileu Galilei, mas não identificado como planeta porque seu movimento em relação às estrelas era lento e sutil demais para os telescópios da época.

O mesmo poderia acontecer com o Planeta Nove?

A professora assistente Malena Rice, astrofísica planetária da Universidade Yale, suspeita que esse possa muito bem ser o caso.

"Não estou nem um pouco convencida de que o Planeta Nove não esteja simplesmente já em nossos dados. Só precisamos olhar com cuidado", diz ela.

Comum em outros lugares

Em abril do ano passado, uma equipe de cientistas de Taiwan, Japão e Austrália pode ter feito exatamente isso.

Eles analisaram levantamentos do céu de dois telescópios espaciais infravermelhos, lançados em 1983 e 2006, respectivamente, e encontraram um par de pontos fracos correspondentes que podem representar um planeta desconhecido se movendo ao longo desses 23 anos.

As conclusões foram recebidas com ceticismo por alguns astrônomos. Até mesmo a equipe de pesquisa é cautelosa.

"É bastante cedo para dizer que nosso estudo é uma descoberta do Planeta [Nove]", admite Terry Phan, autor principal da Universidade Nacional Tsing Hua, em Taiwan.

Em vez disso, ele chama o achado de "a descoberta de um potencial candidato a Planeta [Nove]".

Espera‑se que o observatório Vera Rubin, no Chile, resolva o debate sobre o Planeta Nove nos próximos anos
Espera‑se que o observatório Vera Rubin, no Chile, resolva o debate sobre o Planeta Nove nos próximos anos
Foto: Anadolu via Getty Images / BBC News Brasil

Mas aqui está o ponto: a existência do Planeta Nove não seria um choque para astrônomos como Rice.

Prevê‑se que o planeta hipotético seja maior que a Terra, mas menor que Netuno — e Rice afirma que esse é o tamanho de planeta mais comum em outros sistemas.

"Vemos esse tipo de planeta em algo como metade de outras estrelas, e não temos um dentro do Sistema Solar", diz ela.

Se não é um planeta, o que há ali?

Mas os opositores da hipótese do Planeta Nove alinharam argumentos que vão desde erros observacionais na análise de Batygin e Brown até nossa história anterior com um planeta misterioso: um Planeta X teórico, que estaria puxando Urano, foi proposto no início do século 20, mas depois refutado.

Outro argumento que alimenta o ceticismo é a descoberta, em 2023, de Ammonite — um objeto transnetuniano cuja órbita não se alinha com a dos seis TNOs originalmente analisados por Batygin e Brown.

O planeta anão Sedna, descoberto em 2003, é um dos seis objetos transnetunianos cuja órbita incomum foi associada à possível presença de um Planeta Nove
O planeta anão Sedna, descoberto em 2003, é um dos seis objetos transnetunianos cuja órbita incomum foi associada à possível presença de um Planeta Nove
Foto: Nasa, Esa and M Brown (Caltech) / BBC News Brasil

Há também uma teoria concorrente apresentada por uma equipe de astrofísicos do instituto de pesquisa Forschungszentrum Jülich, na Alemanha.

Em 2025, eles realizaram simulações computacionais que sugerem que uma passagem próxima de uma estrela massiva, bilhões de anos atrás, poderia ter causado um caos gravitacional que alterou as órbitas dos TNOs.

"Eu não diria que o Planeta Nove não pode existir", admite a professora Susanne Pfalzner, que liderou o estudo. "Mas a probabilidade é baixa."

Greenstreet diz que as evidências desse planeta adicional "têm diminuído nos últimos anos".

Mas mesmo que as imagens do Rubin não revelem o Planeta Nove, ela está otimista em relação ao que elas podem revelar em seu lugar.

"Há uma vasta região do Sistema Solar externo que ainda é amplamente inexplorada… quem sabe o que mais pode estar escondido ali", diz ela.

"Com cada pergunta que respondemos, sempre surgem novas perguntas."

Este texto foi traduzido e revisado por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA, como parte de um projeto piloto.

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