Bola de fogo e estrondo sônico: acompanhe o retorno dos astronautas da Artemis 2 à Terra
A chegada à Terra ocorreu às 21h07 no horário de Brasília, nesta sexta-feira, 10, na costa de San Diego, EUA
Os astronautas da missão Artemis 2 já volataram à Terra após 10 dias em órbita, com passagem pelo lado oculto da Lua. A chegada ocorreu às 21h07 no horário de Brasília, nesta sexta-feira, 10, na costa de San Diego, nos Estados Unidos, às 17h07 do horário local. Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen aguardam agora o resgate, que será feito com apoio da Marinha dos Estados Unidos.
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Wiseman, que é o comandante da Artemis 2, afirmou que os quatro tripulantes chegaram à Terra bem e saudáveis. O resgate está programado para ocorrer em uma janela de tempo de duas horas após o pouso na água. A tripulação será retirada da Orion e levada para o porta-aviões USS Murtha.
Os astronautas entrarão em botes infláveis e, em seguida, entrarão em helicópteros para serem levados ao navio. A equipe também passará por avaliações médicas pós-missão antes de retornar à costa. Por fim, eles serão levados ao Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, no Texas, de avião.
Como foi a reentrada na atmosfera terrestre?
O Centro de Controle da Missão da NASA já restabeleceu as comunicações com a cápsula Orion, após um período de seis minutos sem comunicação. Vários helicópteros na área de amerissagem no Oceano Pacífico relataram ter visto a cápsula Orion, segundo a NBC.
A cápsula Orion iniciou sua descida pela atmosfera terrestre, envolta em intenso calor: um estágio chamado de “interface de reentrada”, às 20h53, um processo de 14 minutos considerado como etapa mais crítica da missão Artemis II. Momentos antes, a nave alcançou sua velocidade máxima, de 38.415 km/h, segundo a NASA.
Durante a reentrada, a missão enfrentou um apagão temporário de comunicações, com cerca de seis minutos de duração, causado pela formação de uma camada de plasma ao redor da cápsula Orion.
O módulo da tripulação da Orion separou-se do módulo de serviço da cápsula às 20h33 (horário de Brasília). O compartimento, que abriga os 33 motores que impulsionaram e direcionaram a espaçonave Orion até a Lua e de volta, não é mais necessário para os estágios finais da missão.
Mais cedo, o o Serviço Geológico dos Estados Unidos, informou que um estrondo sônico poderia ser ouvido e até sentido na região entre 17h e 17h15 no horário local (20h a 20h15 no horário do leste dos EUA) com a a reentrada da missão Artemis II na atmosfera terrestre.
O fenômeno, conhecido como explosão sônica, ocorre quando uma aeronave ou espaçonave ultrapassa a velocidade do som. Nesse momento, o veículo gera uma onda de choque ao atravessar o ar, formando um cone de pressão que se propaga em todas as direções ao longo da trajetória e alcança o solo. Quando essa pressão é liberada de forma abrupta, o resultado é um som alto e repentino, frequentemente descrito como um estrondo intenso.
A chegada da cápsula Orion também colocará à prova sua resistência a temperaturas extremas, que podem atingir cerca de 2.700 °C. A segurança da reentrada depende do desempenho do escudo térmico da nave, um dos testes mais críticos da missão Artemis 2. Uma verdadeira bola de fogo.
Entenda o passo a passo do retorno da Artemis 2
Preparação no espaço
Antes de começar a descida, os astronautas realizam uma série de preparativos dentro da cápsula Orion. Eles organizam os equipamentos, ajustam os assentos e garantem que tudo esteja seguro para a reentrada.
Além disso, a equipe revisa informações essenciais, como condições meteorológicas, trajetória de retorno e procedimentos de emergência. Também são feitas manobras de correção de rota para alinhar a espaçonave com precisão em direção à Terra.
Correção final da trajetória
Poucas horas antes da reentrada, os propulsores da Orion são acionados para um último ajuste de trajetória. Essa queima garante que a cápsula esteja no ângulo correto para entrar na atmosfera terrestre com segurança.
Esse alinhamento é fundamental: qualquer desvio pode comprometer toda a operação de retorno.
Separação do módulo de serviço
Cerca de 20 minutos antes de atingir a atmosfera, o módulo de serviço da Orion se separa da cápsula tripulada. A partir desse momento, apenas a cápsula segue rumo à Terra.
Logo depois, uma última queima de ajuste é realizada para refinar ainda mais a trajetória de reentrada.
Entrada na atmosfera em alta velocidade
A cápsula entra na atmosfera a cerca de 38 mil km/h, enfrentando temperaturas que podem ultrapassar 2.700 °C. Nesse momento, ocorre um fenômeno conhecido como blackout: uma camada de plasma se forma ao redor da nave, interrompendo a comunicação com a Terra por cerca de seis minutos.
Dentro da cápsula, os astronautas também sentem a força da desaceleração, que pode chegar a 3,9 vezes a gravidade terrestre.
Abertura dos paraquedas
Após atravessar a parte mais crítica da reentrada, a Orion inicia a abertura dos paraquedas em etapas: Primeiro, os paraquedas de frenagem, a cerca de 6,7 km de altitude; depois, os três paraquedas principais, a aproximadamente 1,8 km. Esse sistema reduz drasticamente a velocidade da cápsula, permitindo um pouso seguro no oceano.
Pouso no oceano
A cápsula realiza o chamado splashdown no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos. Esse tipo de pouso é tradicional em missões espaciais e ajuda a amortecer o impacto final da descida.
Resgate da tripulação
Após o pouso, equipes de resgate entram em ação. Em até duas horas, os astronautas são retirados da cápsula com o auxílio de helicópteros. Eles são levados para o navio militar USS John P. Murtha, onde passam pelas primeiras avaliações médicas após a missão.
Retorno à Terra firme
Depois do resgate, a tripulação segue para o continente e embarca rumo ao Centro Espacial Johnson, no Texas. Lá, os astronautas continuam sendo monitorados por equipes médicas e científicas, encerrando oficialmente a missão.
*Com informações da NBC