Cidades cheias de casas vazias e moradores sem lar: as cidades das "persianas fechadas" estão aqui
Em Damgan, na costa da Bretanha, França, a maioria das casas são de veraneio Casas vazias convivem com trabalhadores e moradores que não conseguem encontrar lugar para morar
Em Damgan, uma pequena cidade litorânea da Bretanha, França, recentemente começaram a pintar as persianas de vermelho, azul ou verde — opções mais coloridas do que o branco tradicionalmente usado para fachadas. "Mandamos pintá-las", admite o prefeito, Jean Marie-Labesse. Essa mudança de cor pode parecer um detalhe pequeno, mas diz muito sobre os desafios que a cidade enfrenta. O motivo de terem decidido dar às persianas um tom alegre é que Damgan é uma vila de veraneio, e muitas de suas janelas permanecem fechadas durante a maior parte do ano.
Ao adicionar um toque de cor às persianas, a Câmara Municipal pretende (pelo menos esteticamente) fazer com que Damgan pareça menos com o que é: uma cidade mergulhada num estado quase comatoso durante todo o ano devido ao grande número de segundas residências.
74%
O caso de Damgan foi notícia em França exatamente há um ano e, para além de quaisquer mudanças que possa ter sofrido nos últimos meses, é interessante porque ilustra um fenómeno que afeta muitas outras cidades turísticas, tanto em França como no mundo: o "boom" das segundas residências em detrimento das residências principais.
Na cidade francesa, contudo, a tendência é acentuada. O jornal Le Parisien reporta que, até 2025, 74% das casas serão segundas residências, uma percentagem que atingiu quase 80% antes da intervenção da Câmara Municipal.
De 1,9 mil para 30 mil habitantes
Na prática, essa porcentagem se traduz em casas e mais casas, fechadas durante a maior parte do ano, ...
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