Booktubers estão usando ChatGPT para falar de livros que não leram
A Inteligência Artificial virou uma espécie de leitor fantasma porque criadores de conteúdo literário passaram a terceirizar a leitura
Booktubers, criadores de conteúdo em redes sociais cuja identidade gira em torno da leitura, estão começando a admitir sem constrangimento que não leem todos os livros que recomendam. Em vez disso, leem o que o ChatGPT diz e resume sobre eles.
O curioso é que, diferentemente do que leitores mais tradicionais talvez fizessem, eles não confessam isso diante da câmera como algo vergonhoso, nem pedem desculpas aos seguidores por produzir um conteúdo de segunda mão. Contam como se fosse um truque de produtividade, uma solução inteligente para o problema de precisar produzir conteúdo sobre livros que, na prática, não têm tempo de ler.
100 livros em uma semana
O caso mais chamativo dessa tendência, que ainda continua rendendo discussão, explodiu em agosto de 2025, quando uma usuária do TikTok publicou um vídeo dizendo que havia lido 100 livros em uma semana. O truque era o SoBrief, aplicativo que oferece mais de 73,5 mil resumos em áudio e texto com a promessa de "terminar qualquer livro em 10 minutos".
A reação nas redes foi imediata: o que sobra da leitura quando aquilo que se busca não é justamente a experiência de ler? Houve até quem comentasse que esses booktubers tinham conseguido transformar em realidade aquilo que Bradbury antecipava em Fahrenheit 451, embora talvez o resumo nem mencione isso.
Nada disso nasceu agora
Ainda que a IA generativa hoje consiga resumir qualquer livro em segundos, a internet já fazia esse papel há anos, só que de forma mais trabalhosa. O CliffsNotes, na ...
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