Bilhões em jogo: O que o agro brasileiro realmente ganha (e perde) com o acordo Mercosul-UE
Após mais de duas décadas de negociações, o tratado avança na Europa e promete abrir mercados, mas também traz salvaguardas que preocupam produtores brasileiros
O aval provisório dado pelos países da União Europeia ao acordo de livre comércio com o Mercosul marca um dos movimentos mais relevantes do comércio internacional para o Brasil nos últimos anos — especialmente para o agronegócio. Negociado desde o fim dos anos 1990, o tratado finalmente entra em sua reta final e, se ratificado pelos parlamentos nacionais, poderá redefinir o acesso de produtos brasileiros a um dos mercados mais ricos e exigentes do planeta. Mas, apesar do potencial bilionário, os ganhos não vêm sem riscos.
Hoje, a União Europeia já é o segundo maior destino das exportações do agro brasileiro, atrás apenas da China. Em um cenário em que o Brasil perdeu espaço nos Estados Unidos após o tarifaço imposto por Donald Trump em 2025 — e ainda convive com restrições recentes de China e México à carne —, fortalecer a relação com a UE virou uma questão estratégica. Não por acaso, o acordo ganhou fôlego justamente quando europeus também passaram a buscar alternativas comerciais, pressionados pelas tensões com os EUA e pela dependência excessiva da China em áreas sensíveis.
Do ponto de vista do agro, o coração do acordo está na eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. Na prática, isso abre espaço para ampliar vendas de itens como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, com redução gradual de tarifas ao longo de quatro a dez anos. É uma mudança relevante, sobretudo para produtos industrializados, que hoje...
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