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Anthropic monta laboratório de biologia para acelerar experimentos baseados em IA

18 set 2026 - 11h43
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Resumo
A Anthropic criou um laboratório físico em San Francisco para unir inteligência artificial e ciências biológicas, visando acelerar o desenvolvimento de tratamentos para doenças raras e intratáveis. A startup busca integrar sua IA Claude à robótica para automatizar testes práticos com supervisão humana, além de fornecer ferramentas para grandes farmacêuticas. O avanço ocorre enquanto a empresa equilibra riscos de segurança biológica e se prepara para uma oferta pública inicial.

A Anthropic montou discretamente um laboratório para realizar pesquisas sobre biologia, à ‌medida que expande suas ambições em inteligência artificial para o mundo da ciência farmacêutica.

Em um momento em que o receio em relação à segurança da IA domina a opinião pública, a startup construiu um laboratório de experimentos físicos na região da Baía de San Francisco, segundo duas pessoas a par do assunto. A Anthropic afirmou que pretende desenvolver tratamentos para doenças raras, e seu trabalho na área de biologia já foi além das avaliações "in silico" ou computacionais.

Em entrevista à Reuters na terça-feira, o chefe de ciências da vida da Anthropic, Eric Kauderer-Abrams, confirmou a existência do laboratório de experiências práticas da startup.

"Acreditamos que, para se trabalhar com biologia, o teste final ainda é, e continuará sendo por um tempo, o ⁠trabalho de laboratório real", disse ele. "Estamos, sem dúvida, fazendo isso hoje, e eu descreveria nossa abordagem como típica do que se vê na maioria das empresas de biotecnologia, em que parte ‌desse trabalho é realizada em nossas próprias instalações e outra parte é feita em parceria com parceiros externos."

Um porta-voz esclareceu posteriormente que o laboratório da Anthropic não se destina especificamente à descoberta de medicamentos, recusando-se a dar mais detalhes.

"A missão da empresa é desenvolver uma IA poderosa de forma a beneficiar o mundo", disse Kauderer-Abrams. "De longe, vemos a maior oportunidade para ‌isso nas ciências da vida, e isso está motivando tudo o que estamos fazendo."

AMBIÇÃO E MEDO DE CATÁSTROFE

Assim ‌como outras empresas de biotecnologia, a Anthropic está adotando a automação física, disseram duas fontes.

A startup quer aprimorar a forma como sua IA Claude pode orientar unidades robóticas ⁠a realizar experimentos científicos com intervenção humana limitada, disse uma das pessoas. Ainda assim, a Anthropic acredita que a supervisão e o envolvimento humanos são essenciais para a segurança, afirmou seu porta-voz.

"Estamos nos estágios iniciais do uso da IA para automatizar a execução de trabalhos de laboratório", disse Kauderer-Abrams, "uma área que tem o potencial de trazer uma aceleração significativa em tantos processos diferentes".

A corrida da Anthropic para aplicar tecnologia em rápida evolução a um laboratório de biologia ocorre em um momento extraordinário para a empresa.

Nas últimas duas semanas, alguns de seus pesquisadores alertaram que a IA poderia levar à extinção da humanidade, e a Anthropic afirmou ter encontrado exemplos em que seus sistemas poderiam ter sido utilizados para o desenvolvimento de ‌armas biológicas.

O presidente da Anthropic, Dario Amodei, pediu uma desaceleração no desenvolvimento da IA, afirmando que uma IA futura mais capaz do que os agentes da OpenAI que invadiram o Hugging Face ‌poderia causar danos catastróficos. Ao mesmo tempo, a Anthropic se ⁠prepara para abrir o capital em uma oferta ⁠pública inicial (IPO) que pode chegar a US$2 trilhões.

"Em nosso trabalho na área de ciências da vida, estamos sempre equilibrando essas questões", disse Kauderer-Abrams, "aprimorando os modelos de maneiras que acreditamos que irão impulsionar e ⁠acelerar o desenvolvimento de medicamentos, e sendo criteriosos e cuidadosos sobre como os implementamos para limitar o risco".

AUMENTO DE ‌AQUISIÇÕES

A Anthropic revelou sua intenção de iniciar programas de ‌desenvolvimento de medicamentos em um evento em São Francisco, em junho. No palco, Kauderer-Abrams disse que a Anthropic realizaria trabalhos pré-clínicos em áreas que as empresas tradicionais não consideravam financeiramente atraentes.

A empresa também lançou um software chamado Claude Science e, anteriormente, incorporou Vas Narasimhan, presidente-executivo da Novartis, ao seu conselho e comprou a startup Coefficient Bio por cerca de US$400 milhões em ações, segundo reportagens da mídia. A Anthropic confirmou a aquisição, que a ajudará a desenvolver ferramentas para o desenvolvimento de medicamentos, ⁠mas não se pronunciou sobre o valor do negócio.

Agora, a Anthropic está ampliando os esforços de seu laboratório interno para ganhar velocidade e obter experiência direta em biologia, embora terceirize trabalhos quando for mais eficiente, disse Kauderer-Abrams à Reuters.

"Há algumas coisas que podemos fazer muito mais rápido por conta própria", disse ele, com o objetivo de "operar na maior escala possível".

A Anthropic tem buscado contratar um líder capaz de ampliar as operações de aquisição e outras áreas, conforme indicado em uma recente oferta de emprego no LinkedIn. Outra vaga anunciada pela Anthropic por meio da Jobera busca um especialista em "caracterização de proteínas e ácidos nucleicos", entre outras atividades ‌bioquímicas. Uma terceira oferta de emprego da Anthropic diz: "Nosso objetivo é acelerar o progresso nas ciências da vida em uma ordem de magnitude."

As ciências da vida já representam uma das maiores áreas de investimento da Anthropic em termos de pessoal e recursos, disse Kauderer-Abrams.

DOENÇAS "INTRATÁVEIS"

Em sua opinião, a IA pode acelerar o desenvolvimento de tratamentos para condições antes consideradas "intratáveis". ⁠A tecnologia pode agilizar a descoberta, por exemplo, de anticorpos bispecíficos e trispecíficos, moléculas complexas que podem ser direcionadas a vários pontos em uma proteína ou célula-alvo, ou atingir múltiplos alvos.

Ainda não está claro quais doenças específicas a Anthropic está abordando e qual o seu progresso. Uma vez identificada uma molécula, pode levar anos para que um medicamento chegue ao mercado, já que ele precisa passar por testes em ensaios clínicos com seres humanos, um desafio que a Anthropic ainda não assumiu. A Isomorphic Labs, braço de descoberta de medicamentos da rival Alphabet, vem trabalhando há anos para chegar à fase clínica e, anteriormente, adiou essa meta para o final de 2026.

Em seus esforços de automação de laboratórios e de outros setores da indústria, a Anthropic lançou em agosto o Model Hardware Standard, que auxilia a IA a operar equipamentos. Um projeto de origem acadêmica chamado PyLabRobot, sem relação com a Anthropic, já havia abordado anteriormente necessidades de automação relacionadas, embora diferentes.

A Anthropic está fornecendo serviços como o Model Hardware Standard, além de serviços e ferramentas mais amplas de IA, para todo tipo de grandes empresas farmacêuticas, como Genentech, da Roche, Bristol Myers Squibb e Novo Nordisk.

Ao mesmo tempo, a Anthropic está lidando com um problema de confiança, segundo duas fontes familiarizadas com seus esforços. Os clientes podem temer que a Anthropic aprenda com seus programas de medicamentos concorrentes, mesmo que a startup de IA proteja seus dados contra acesso não autorizado.

Kauderer-Abrams disse que a Anthropic, em parte devido a preocupações com a concorrência, estabeleceu um limite: por enquanto, não está realizando ensaios clínicos e está se concentrando em necessidades que a indústria não atenderia.

"Não estamos competindo com empresas farmacêuticas e de biotecnologia cujo negócio é levar medicamentos ao mercado", disse ele.

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