Oficiais de Justiça da Comarca de Buritis (MG) notificaram há pouco os sem-terra acampados na Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, sobre o mandado proibitório (interdito) concedido ontem, liminarmente, pelo juiz de Direito José Antonio Maciel. O interdito proibitório significa que os sem-terra não podem invadir a fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Caso o façam, podem ser retirados pela polícia sem a necessidade de ação de reintegração de posse. Foi fixada ainda multa de R$ 500 por dia de invasão.O momento de entrega da decisão aos sem-terra pelos oficiais de Justiça foi bastante tenso. Os oficiais de Justiça foram impedidos, aos gritos, de ler o documento e foram aconselhados por líderes do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a deixar o local. Eles ficaram tão assustados que saíram do local e só pararam mais de cinco quilômetros depois para falar com a imprensa. O oficial de Justiça Paulo Ramos disse que "a missão foi cumprida", pois antes de tentar fazer a leitura pública do documento ele notificou reservadamente líderes do MST no acampamento. "Considero o nosso serviço cumprido", disse Paulo Ramos, informando, no entanto, que o juiz poderá requerer novamente a notificação do MST.
"Estamos ignorando este mandado, pois o que precisamos é do atendimento de nossa pauta de reivindicações", disse o diretor regional do MST Valmir de Oliveira.
Uma comissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e parlamentares da oposição estão sendo esperados no acampamento. Os manifestantes cavaram uma cova na entrada da fazenda, onde está previsto, mais tarde, o enterro de um boneco de Fernando Henrique.
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