O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Suplicy Hafers, condenou ontem a “leniência” dos poderes constituídos diante das invasões promovidas pelo MST. Segundo Hafers, a entidade se insurge freqüentemente contra “algumas manifestações do Ministério Público nitidamente protelatórias em relação à reintegração de posse”. O líder ruralista afirma que a categoria “é inequivocamente a favor da legalidade e contra a violência, mas exige que a lei seja cumprida”. Hafers denuncia, ainda, “as dificuldades” no cumprimento das ordens de desocupação de propriedades. Ele alerta para “o perigo de fazendeiros perderem a razão e partirem para a violência”, sobretudo no Mato Grosso do Sul e no Paraná.
“Há um excesso de tolerância no uso da lei”, acusa. “O descumprimento da lei é inaceitável, o momento deve ser de absoluta firmeza”, prega Hafers, referindo-se à ação de militantes sem terraque estão acampados diante da porteira da fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG).
Firmeza – Como os fazendeiros não podem dispor do aparato de segurança igual ao que foi mobilizado para proteger a Fazenda Córrego da Ponte, a SRB tem investido no campo jurídico. “Instruímos nossos associados para que apelem à Justiça, que tem deferido a reintegração”, explica Hafers. Segundo ele, em São Paulo o governador Mário Covas “tem sido firme no cumprimento das decisões judiciais”. Em outros Estados, “há dificuldades”.
Para o ruralista, a ameaça de invasão da fazenda em Buritis “é um episódio emblemático, uma clara provocação que ultrapassa ao exagero de uma ocupação”. Ele avalia que o objetivo do MST é “tentar desmoralizar o poder legal ”. Segundo Hafers, “a estratégia do movimento é administrar o problema e não a solução”.
O presidente da Sociedade Rural prega a adoção de uma “campanha de convencimento da sociedade sobre a ilegalidade do movimento”. Ele lembrou que, recentemente, sem-terras invadiram área do Instituto de Zootecnia em Barretos (SP) e sacrificaram cerca de 50 cabeças de gado. “A pobreza no interior é inegável, mas esse não é o caminho; todos nós, agricultores, também estamos sofrendo com a falta de financiamento, o que eles querem é dádiva.”
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