A principal exigência do Movimento dos Sem-Terra (MST) para deixar a propriedade dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG), demandaria um adicional de crédito subsidiado de R$ 220 milhões. Essa soma seria acrescida aos R$ 2,79 bilhões já investidos pelo governo para financiar a aquisição da terra, o investimento e o custeio do plantio, além do apoio à instalação de cada uma das 110 mil famílias assentadas pelo MST.O pleito, negado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (CNDRS), tem por objetivo ampliar em R$ 2 mil o crédito subsidiado a cada uma das 110 mil famílias organizadas pelo MST e já assentadas.
Os R$ 220 milhões de financiamento teriam de vir por meio da chamada linha "A", mais subsidiada. Essa modalidade de crédito dá ao assentado um rebate (desconto) de 40% sobre o valor tomado em empréstimo. Sobre o resultado incide uma taxa de juros de 1,15% ao final de um ano. Tais condições favorecidas significam um subsídio de R$ 85,47 milhões, pagos pelo contribuinte, pois o governo só receberia de volta R$ 134,530 milhões.
O governo contrapropõe o empréstimo, mas por uma modalidade de crédito menos barata, embora também subsidiada, em que o assentado não ressarce nem o valor do principal emprestado. É a chamada linha "C", que dá um rebate fixo de R$ 200 e juros de 4% ao ano. Neste caso, dos R$ 220 milhões tomados em empréstimo, os beneficiados pagariam ao governo, ao final de um ano, R$ 206,8 milhões, e o contribuinte arcaria com o subsídio de R$ 13,2 milhões. O MST não aceita essa proposta.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário garante que há dinheiro para financiar o custeio requerido pelo MST, pois a linha de financiamento "C" dispõe de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 600 milhões para custeio. Nega, no entanto, o empréstimo nas condições da linha "A".
Os recursos da linha "A" somam R$ 642 milhões e estão comprometidos com o atendimento a 85,7 mil famílias que serão assentadas. Caso o pleito do MST fosse atendido, desviando R$ 220 milhões dessa linha, 29.330 famílias deixariam de ser atendidas.
Outra reivindicação do MST é assentar mais 75 mil famílias que se encontram nos acampamentos. O custo para isso seria de R$ 1,9 bilhão, considerando que cada uma recebe R$ 25,4 mil para se instalar e financiar o custeio de sua lavoura.
De janeiro a setembro deste ano, foram assentadas 51 mil famílias, e a meta é alcançar 100 mil até dezembro. Para viabilizar os assentamentos e a agricultura familiar, o governo já investiu R$ 1,43 bilhão, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
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