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Ações do MST dividem Igreja

Quinta, 14 de setembro de 2000, 18h45min
As invasões de prédios públicos e a ameça de ocupação da fazenda de propriedade dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso pelo Movimento dos Sem Terra (MST) trouxeram à tona as diferenças entre a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a cúpula da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Enquanto a CPT saiu em defesa dos sem-terra, a direção da CNBB estava cautelosa em relação às ações do MST. O secretário-geral da Conferência, dom Raimundo Damasceno Assis, evitou se pronunciar sobre assunto, mas fez questão de ressaltar que a CPT não "fala em nome da CNBB". "A CPT é autônoma e não fala em nome da Conferência".

O secretário alegou não ter conhecimento dos motivos que levaram os sem-terra a promoverem invasões de prédios públicos. "A CNBB não foi solicitada a intervir nessa questão, mas se formos chamados iremos", disse. Ele aguardava um convite do MST para participar de uma possível audiência dos sem-terra como ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. "Não tivemos contato até agora com o MST e estamos dispostos a ir a essa audiência para saber quais são os motivos reais dos sem-terra para promover as invasões", argumentou dom Damasceno.

Para o coordenador nacional da CPT, Isidoro Revers, a CNBB tem uma postura de cautela porque congrega bispos de várias tendências. "A direção da CNBB sabe que existem bispos que não vão apoiar o MST e que têm uma prática pastoral de não se envolver com os mais pobres e excluídos do campo", afirmou Revers, ao tentar justificar o silêncio da CNBB sobre as invasões do MST.

Revers fez questão, no entanto, de lembrar que a CNBB é hoje a conferência episcopal da América Latina mais comprometida com as questões sociais. Isidoro Rever argumentou, ainda, que é papel da CPT ajudar os movimentos sociais do País. Garantiu também que as ações do MST não são "políticas nem ideológicas". "Os trabalhadores rurais só fizeram essas ações porque querem crédito logo, para não perder o período do plantio", afirmou Revers.

Ele criticou o presidente Fernando Henrique e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, por estarem travando uma disputa sobre o envio de tropas federais para a fazenda do presidente. "É tudo um jogo de cena do governo Fernando Henrique e do governador Itamar Franco", disse. "Os trabalhadores não foram para a porta da fazenda para que o Itamar compre uma briga e sim para obter crédito", completou o coordenador da CPT.

Na terça-feira a CPT divulgou uma nota condenando o governo federal por não cumprir o acordo com o MST e apoiando as invasões promovidas pelos sem-terra. Na nota, a Comissão lembrou que o acordo entre o governo e o MST foi mediado pela CNBB, e cobra do Palácio do Planalto o cumprimento das reivindicações dos sem-terra. "Essas ocupações, que aos olhos de muitos parecem impertinentes e que, de fato, não deveriam ocorrer se os compromissos fossem cumpridos, são o único modo de mostrar ao governo e à sociedade que eles (os sem-terra) merecem respeito e que suas justas reivindicações precisam ser ouvidas", afirmou o vice-presidente da CPT, dom Ladislau Biernaski.

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Agência Estado

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