Mesmo na ausência do governador Itamar Franco, que embarcou para Brasília, cerca de 100 policiais militares do Batalhão de Missões Especiais (BME) mantiveram por todo o dia a guarda do Palácio da Liberdade, na Zona Sul de Belo Horizonte. O "reforço de segurança", que contou com um Brucutu (carro blindado da PM), atiradores de elite mascarados, posicionados em pontos estratégicos do Palácio diversas viaturas, uma UTI móvel da PM, cães de guarda e até um helicóptero, permaneceria no local por tempo indeterminado."A ordem do governador é para que o efetivo fique mobilizado até não haver mais ameaças", disse um assessor de Itamar. Ontem (13), ao justificar a fortaleza em que transformou o Palácio, Itamar disse que possuía "informações reservadas" segundo as quais corria risco de sofrer alguma ação planejada pelo governo federal. O governador considerou que a ocupação, por tropas federais, da fazenda fazenda Córrego da Ponte, em Burutis (MG), pertencente a familiares do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi "uma provocação" do Palácio do Planalto e que havia trazido "sérios riscos ao Estado de Direito".
Ele chegou a comparar sua situação com a do presidente chileno Salvador Allende, morto em 1973 durante um golpe militar durante um bombardeio ao palácio-sede do governo. A ordem do comando da PM era para que os policiais que guardavam o Palácio, todos portando armas modernas e de grosso calibre - entre elas, metralhadoras que disparam 25 tiros por segundo - mantivessem silêncio e evitassem conversar com jornalistas. Um dos soldados, que não quis se identificar, porém, garantiu que o clima entre os colegas era de tranqüilidade, já que ninguém acreditava na possibilidade de um confronto entre a corporação mineira e o Exército. O policial contou que, ao serem acionados, os homens do BME estavam sem fazer nada e que a movimentação foi bem recebida.
"Ficamos de plantão no batalhão e só somos chamados para missões especiais, como rebeliões e situações de reféns", disse. Itamar goza de prestígio entre os 43 mil policiais militares de Minas. No primeiro semestre, quando concedeu reajustes diferenciados aos 450 mil servidores estaduais, o governador foi generoso com toda a tropa.
Enquanto o reajuste médio, para todas as categorias, foi de 28%, os vencimentos dos policiais, praças e oficiais tiveram correção, também média, de 75,72%. O menor salário da corporação passou para R$ 900,00, o dobro do que ganha hoje um professor,em 24 horas semanais de serviço.
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